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VOO RARO

Piloto de Novo Hamburgo sobrevoa Cristo Redentor de asa-delta

De volta ao Vale do Sinos, Marcelo Ferreira, o Pélio, conta a experiência que tentava realizar há 8 anos

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 29/10/2025 às 19h:21 Última atualização: 30/10/2025 às 12h:51
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De volta ao Vale do Sinos, o piloto de asa-delta de Novo Hamburgo, Marcelo Ferreira, popularmente conhecido como Pélio, compartilhou a experiência de uma conquista que não é inédita, mas é rara de acontecer. Na semana passada, ele foi o protagonista ao realizar um dos voos mais desafiadores e simbólicos do voo livre, que é sobrevoar o Cristo Redentor. 

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Marcelo Ferreira sobrevoando o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro | abc+



Marcelo Ferreira sobrevoando o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro

Foto: Arquivo Pessoal

O voo, que ocorre em condições específicas e pouco frequentes, foi resultado de oito anos de tentativas e de um planejamento minucioso que envolveu estudo de ventos, pressão atmosférica e ausência de nuvens sobre a cordilheira da cidade.

O atleta atingiu 1.350 metros de altitude acima do nível do mar durante o voo. O Cristo Redentor, para efeito de comparação, está a pouco mais de 700 metros. A decolagem foi feita na Pedra Bonita, na zona sul carioca, e o percurso até o Cristo foi de 20 quilômetros, um voo que durou quase duas horas. “Eu fiquei muito emocionado. Quando cheguei lá em cima, fiz uma oração e agradeci a Deus por sempre estar protegendo quem voa, porque é um esporte que, querendo ou não, é de risco”, conta Pélio.

“Então, tu poder chegar lá, no berço do Voo Livre do Brasil, onde está um dos lugares mais visitados do mundo, onde fica um dos maiores clubes do mundo de voos livres, e poder fazer esse voo, é muito gratificante”, complementa.

Piloto de Novo Hamburgo sobrevoa Cristo Redentor de asa-delta
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Oito anos de espera e uma viagem debaixo de temporal

O sonho de sobrevoar o Cristo começou há oito anos, mas nunca havia se concretizado por conta das condições meteorológicas. Pélio, que é professor de educação física e especialista em esportes de aventura, vinha monitorando há meses as condições climáticas do Rio até perceber, há cerca de duas semanas, que a segunda-feira, dia 20 de outubro, seria propícia para o voo.

“Para realizar este feito precisa de uma condição muito específica: a pressão precisa estar alta, o vento alinhado no quadrante sul e sem nuvens na cordilheira. É um voo muito técnico. Quando percebi que ia dar, peguei o carro e fui para o Rio”, relata. A viagem, no entanto, foi uma aventura à parte. “Pegamos temporal praticamente o caminho inteiro. Na descida da Serra da Graciosa, caiu uma árvore na minha frente e um galho ainda atingiu o capô do carro”, lembra.

Mesmo com os imprevistos, Pélio e o companheiro de viagem, o diretor técnico da Associação Gaúcha de Voo Livre (AGVL), Daniel Guntchnigg, chegaram ao Rio no domingo à noite, ainda sob chuva. No dia seguinte, o tempo abriu, e às 9h30 da manhã o sonho se tornou realidade.

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“Essa condição clássica de voo, em que é possível subir acima do Cristo, é raríssima. Faz uns dez anos que não acontecia algo assim”, explica Pélio, que também é diretor da Confederação Brasileira de Voo Livre.

Logo após concluir a aventura de sobrevoar o principal cartão postal do Brasil, o atleta do Vale do Sinos recebeu a carteira de sócio honorário do Clube São Conrado, um dos maiores clubes do mundo dedicados ao esporte.

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Voo sobre o Cristo é mais um “título” de um multi-campeão

A façanha no Cristo Redentor soma-se a uma trajetória de 34 anos dedicados ao voo livre. Aos 54 anos, Pélio é campeão brasileiro na categoria Advanced (2011), campeão gaúcho de precisão de pouso 2025 e atual terceiro colocado na elite gaúcha do esporte. Também conquistou o título da etapa do Brasileiro na Serra da Bocaina, além de ter ficado em terceiro lugar nos Jogos Cariocas de Voo Livre.

Entre suas marcas históricas, está o fato de ter sido o único piloto a decolar de Osório e pousar em Sapiranga, algo inédito no Rio Grande do Sul. “Eu sempre digo que no voo livre a gente não faz nada sozinho. Esse esporte exige parceria, planejamento e muita confiança nos colegas. É um trabalho coletivo, mesmo quando parece individual”, destaca.

Próximo desafio é cruzar o Pampa gaúcho

Após o feito no Rio, Marcelo já tem outro desafio à vista. No dia 15 de novembro, ele pretende decolar de Caçapava do Sul e sobrevoar todo o Pampa gaúcho até Uruguaiana, em um percurso estimado em mais de 300 quilômetros.

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“Já consegui voar 290 quilômetros naquela região, mas agora quero quebrar meu próprio recorde”, revela. Para isso, Pélio se prepara física e mentalmente para encarar as longas horas de voo sobre o campo aberto. “O Pampa é um cenário incrível e desafiador. Lá o vento é mais forte, o clima é seco e a leitura térmica é completamente diferente”, explica.

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