A Copa do Mundo começa nesta semana e, junto com a expectativa pela busca do hexacampeonato, também voltam à tona algumas das histórias mais curiosas da Seleção Brasileira. Ao longo das décadas, jogadores e treinadores acumularam rituais, manias e superstições que, para eles, ajudavam a trazer sorte dentro de campo.
Zagallo e a paixão pelo número 13
Se existe um símbolo das superstições na história da Seleção Brasileira, ele atende pelo nome de Mário Jorge Lobo Zagallo. O treinador e coordenador carregou durante décadas uma relação quase mística com o número 13, que considerava seu amuleto da sorte.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Zagallo costumava destacar coincidências envolvendo o número e frequentemente associava conquistas da Seleção a ele. Entre os exemplos mais famosos estavam as 13 letras da expressão “Brasil Campeão” e também as 13 letras do nome “Roberto Carlos”, lateral que fez parte de gerações vencedoras da equipe nacional.
O tetracampeão morreu no Rio de Janeiro em 2024, aos 92 anos. No final das contas, estava certa sobre a contagem das letras. “Mestre Zagallo” e “Zagallo eterno” também completam o mesmo icônico número de 13 caracteres.
Entrar com o pé direito
Entre os nomes do atual grupo está o jovem atacante Rayan. Aos 19 anos, o jogador revelou recentemente que sempre entra em campo com o pé direito. Segundo ele, a superstição foi ensinada pela mãe ainda na infância e é seguida até hoje, independentemente da partida ou da competição.

Foto: THIAGO RIBEIRO / AGIF / AGIF VIA AFP
E a expressão “entrar com o pé direito” também pode ser aplicada ao momento vivido pelo atacante. Contratado pelo Bournemouth no início de 2026, Rayan teve impacto imediato na Premier League, com dois gols e uma assistência nas três primeiras partidas pelo clube inglês. No total, foram cinco tentos e dois passes para gols em 15 aparições pela equipe.
O desempenho chamou a atenção da comissão técnica da Seleção e ajudou a render um lugar no time de Ancelotti. Sua segunda convocação foi para a Copa do Mundo. Ele recebeu elogios públicos do treinador e marcou seu primeiro gol pela seleção no amistoso contra o Panamá.
Ronaldo e o corte de cabelo que virou lenda
Poucas superstições ficaram tão famosas quanto a de Ronaldo na Copa do Mundo de 2002. Antes da semifinal contra a Turquia, o atacante convivia com questionamentos sobre problemas físicos e dores musculares. Para desviar a atenção da imprensa, apareceu com um corte de cabelo inusitado, raspando praticamente toda a cabeça e deixando apenas uma pequena faixa na parte da frente: o famoso corte “cascão”.
“Minha virilha estava doendo. Eu estava apenas 60%. Então raspei a cabeça. Todo mundo falava apenas do meu problema físico. Quando eu cheguei para treinar com aquele corte de cabelo, todos pararam de falar da lesão”, disse o Fenômeno em entrevista ao jornal britânico The Sun.
A estratégia funcionou. O assunto dominou entrevistas, programas esportivos e reportagens ao redor do mundo. Enquanto o visual virava tema de debate, Ronaldo manteve o foco dentro de campo e respondeu da melhor forma possível. O atacante marcou o gol que garantiu a vitória sobre a Turquia na semifinal e foi o grande nome da decisão diante da Alemanha, anotando os dois gols do triunfo por 2 a 0.
Com oito gols em sete jogos, terminou a competição como artilheiro e principal símbolo da campanha que levou o Brasil ao pentacampeonato. Mesmo assim, perdeu o título de melhor jogador do torneio para o goleiro alemão Oliver Kahn, que falhou na decisão.

Foto: Reprodução/CBF