A ladeira de São João do Deserto, em Lomba Grande, Novo Hamburgo, voltou a receber atletas de esportes radicais sobre rodinhas neste fim de semana. Entre sábado (13) e domingo (14), cerca de 60 atletas participaram da segunda edição dos treinos de skate downhill e modalidades similares, evento que confirma a retomada de uma tradição interrompida por quase uma década.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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O encontro, realizado na Estrada Reny Paz Pereira, reuniu competidores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul e até de Santa Catarina. A atividade é liderada pela campeã mundial de skate downhill, Melissa Brogni, que idealizou o retorno dos treinos através de um coletivo batizado de Knulp, e pelo diretor técnico Claudio “Kaká” Verardi. Ambos já promoviam encontros semelhantes até 2016.
Agora, com a retomada, a proposta é oferecer um espaço seguro para treinos que servem de preparação para competições oficiais. “O que acontece aqui é um skate camp. O atleta aprende, treina e sai mais preparado para disputar o circuito gaúcho e até o brasileiro”, explica Verardi.
A descida de São João do Deserto tem aproximadamente 1,3 km de extensão e já foi palco de provas que revelaram nomes de destaque no esporte. Além do skate downhill, outras modalidades também estiveram presentes, como street luge, street sled, drift trike, trike speed, dirt surf e até carrinhos de lomba.
Um veterano entre a gurizada
Entre os participantes predominantemente jovens estava James Acosta Charão, de 66 anos, um veterano de Porto Alegre. Há mais de 15 anos, ele se dedica ao street luge, modalidade em que o atleta desce deitado em um equipamento semelhante a um carrinho de rolimã, mas em alta velocidade. Para Charão, o respeito às regras da pista é fundamental.

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“É um esporte de risco, tem que saber o que está fazendo. Cada lomba é diferente, precisa ser reconhecida antes. Não dá para abusar da velocidade só por achar que é bom. O importante é manter a disciplina e respeitar o espaço”, afirma.
Um legado que passa de pai para filha
Outro destaque foi a presença de Nataly Albani Boff, 19 anos, de Cachoeirinha, que herdou a paixão pelo trike do pai, Eracildo Scheffer. A jovem começou a praticar aos 6 anos e já coleciona conquistas: foi campeã gaúcha infantil em 2018 e também venceu competições na Argentina. “Essa ladeira é muito boa. Lembro que vinha pra cá quando era pequena, mas nunca tinha descido inteira. Foi uma experiência incrível”, relata.
O pai, bicampeão estadual e campeão sul-americano, vibra com a continuidade. “Desde 2012 nunca larguei o esporte, e hoje a maior alegria é ver minha filha participando. É um legado que passa de geração em geração”, afirma Scheffer.

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Comunidade celebra o retorno
A retomada também reacendeu a vida comunitária em São João do Deserto. Moradores como Clóvis Rodrigues da Silva e a esposa, Ione Medina da Silva, acompanharam de perto as descidas ao lado da filha, Lisa Rodrigues Kerber. Para eles, o evento, além de uma competição esportiva, movimenta a localidade e traz oportunidades.
“Quando tinham campeonatos aqui, eu chegava a abrir estacionamento e servia lanche. Sempre foi tranquilo, os atletas são educados. Agora, com a volta, São João do Deserto ganha vida de novo e vai deixar de ser tão deserto assim”, brinca.

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