A busca pelo hexacampeonato mundial já começou nos bastidores da Seleção Brasileira. Na tarde desta terça-feira, Cláudio Taffarel e o hamburguense Marquinhos Trocourt embarcaram para o Rio de Janeiro para se apresentar à comissão técnica da equipe nacional antes da Copa do Mundo. Experiente, o tetracampeão mundial que integra a preparação dos goleiros disputará a sétima Copa da carreira, enquanto seu auxiliar viverá o segundo Mundial consecutivo com a Seleção. Em entrevista antes da viagem, a dupla falou sobre expectativa, pressão e o sonho de conquistar o hexa e a amizade.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Para Taffarel, a nova convocação para uma Copa representa mais um momento de orgulho na longa trajetória com a camisa brasileira. O ex-goleiro destacou a responsabilidade de integrar um grupo que pode marcar época no futebol nacional. Como jogador, ele participou em 1990, 1994 e 1998, enquanto que em 2010, 2018, 2022 fez parte da comissão.
“Eu tinha feito umas contas rápidas e achei que era a sexta Copa, mas é a sétima. É uma coisa que gratifica bastante, que te enche de orgulho poder servir mais uma vez o Brasil, defender essas cores e essa torcida. E estar participando desse grupo, que pode marcar uma geração vencedora. A gente espera muito isso, porque potencial tem. Estamos indo para essa Copa com muita determinação, muita vontade de fazer o melhor. Depois que tu faz tudo isso, entrega na mão de Deus, porque é Ele quem decide tudo”, afirmou.
Acreditar até o fim
Taffarel também relembrou a conquista da Copa do Mundo de 1994 e apontou coincidências que aumentam a confiança para a campanha deste ano. Foi naquele campeonato que o narrador Galvão Bueno eternizou a frase “Sai que é sua, Taffarel”
“São 24 anos sem ganhar, Estados Unidos novamente… tem algumas semelhanças que fazem a gente acreditar mais ainda que possa acontecer de novo. Claro que tudo depende do grupo estar focado e conseguir jogar o melhor futebol. Tem muitas variantes, tudo precisa estar 100%, mas empenho não vai faltar”, disse.
Além dos dois preparadores, a psicóloga Marisa Santiago, que trabalha no Grêmio, também embarcou para o Rio de Janeiro. Os jogadores começam a se apresentar nesta quarta-feira na Granja Comary.
Décadas de amizade
Ao comentar a parceria com Marquinhos Trocourt, Taffarel ressaltou a amizade construída ao longo de décadas no futebol gaúcho e brincou sobre o papel de cada um no trabalho diário com os goleiros.
“É um amigo de muitos anos, desde a época em que jogávamos contra, Inter e Novo Hamburgo. Sempre foi um grande goleiro. Depois tivemos a oportunidade de trabalhar juntos no Internacional e agora também na Seleção. Está sendo uma parceria muito boa. Aliás, na Seleção ele é o treinador e eu sou o auxiliar dele, porque todo mundo vê ele realmente como um professor. Eu sou só o chutador de bola”, brincou.
De Novo Hamburgo à Seleção: Marquinhos vive segunda Copa do Mundo
Natural de Novo Hamburgo, Marquinhos falou sobre o orgulho de representar a cidade em mais uma Copa do Mundo. “É realmente uma honra participar novamente da Seleção e já na expectativa de fazer um bom trabalho e trazer esse título para o Brasil.”
Mais experiente após a participação no Catar, em 2022, o preparador acredita que a comissão técnica chega mais fortalecida mentalmente para o novo desafio.
“A gente criou uma expectativa muito grande em 2022, pelo histórico que tinha nas eliminatórias e na Copa América. A derrota para a Croácia foi muito dolorida. Acho que isso serviu para nos prepararmos mentalmente mais fortes. Além da parte técnica e física, se mentalmente você não estiver forte, fica muito difícil, principalmente pela qualidade dos adversários.”

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Marquinhos também relembrou o início da trajetória no futebol, ainda nos tempos de Novo Hamburgo, e admitiu que jamais imaginou chegar à Seleção Brasileira.
“Comecei praticamente em time de sábado à tarde, no Luna Bar, depois fui para o Novo Hamburgo como jogador. Passei pelo Inter, Náutico… quando pensei que iria sair do futebol, recebi convite do 15 de Campo Bom, mas nunca com a intenção de prosseguir no futebol. Pensando em ficar perto de casa, mas é Deus quem escolhe. Depois recebi convite do Inter, vieram Japão, Flamengo, Botafogo, Goiás, São Paulo… e quando achei, na época da Covid, que iria encerrar, recebi o convite do Taffarel para fazer parte da Seleção Brasileira. É uma gratidão enorme por tudo isso.”
Confiante, o hamburguense garantiu que espaço na bagagem não vai faltar para trazer a taça da Copa do Mundo. “Tem muito espaço. A mala está vazia para trazer esse hexa. Pode ter certeza de que não só eu, mas todo o grupo está concentrado e com muita vontade de trazer esse título novamente para o Brasil.”