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ULTRACICLISMO

Tomás Boeira e Egon Dörr superam desafios e concluem o BikingMan Brasil

Dupla de Igrejinha encarou 1.000 quilômetros de percurso e se tornou "finisher" de uma das provas mais duras do ciclismo mundial

Jorge Grimaldi
Publicado em: 22/10/2025 às 14h:55 Última atualização: 22/10/2025 às 15h:00
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Os ciclistas Tomás Boeira e Egon Dörr, de Igrejinha, conquistaram um feito notável ao completarem, na última semana, uma das provas mais exigentes do ciclismo mundial: o BikingMan Brasil, uma ultramaratona autossuficiente de 1.000 quilômetros e 17 mil metros de altimetria acumulada, disputada na Serra Geral, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O percurso desafiador levou os atletas por estradas de terra e asfalto, passando por cânions, florestas de araucárias, rios cristalinos e até trechos de praia.

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Atletas Egon Dörr e Tomás Boeira no BikingMan | abc+



Atletas Egon Dörr e Tomás Boeira no BikingMan

Foto: Arquivo Pessoal

A dupla concluiu a prova em 109h18min, dentro do limite de 120 horas imposto pela organização, e agora integra o seleto grupo de “finishers” do evento — título concedido apenas a quem completa todo o percurso.

Ao cruzar a linha de chegada, Tomás descreve um sentimento difícil de colocar em palavras: “A gente sente que está vivendo o sonho de muitas pessoas — e das pessoas que a gente ama. Não existe dinheiro no mundo que pague essa sensação. Agradecemos muito por ter saúde e poder fazer isso sempre com um sorriso no rosto”, conta o atleta de 32 anos.

Além das exigências físicas, o formato autossuficiente da competição torna tudo ainda mais difícil. Os participantes não podem receber nenhum tipo de apoio externo e precisam gerenciar todos os recursos — alimentação, descanso e manutenção das bicicletas — durante os dias de pedal. “A logística da prova é muito desafiadora. É preciso se organizar bem para enfrentar mil quilômetros em até 120 horas”, explica.

A preparação foi intensa e levou meses de treinos longos e específicos. “A gente treinava muito, fazia treinos de 200 a 300 quilômetros para adaptar o corpo e a cabeça. São muitas horas em cima da bike e também estudando estratégias de sono, alimentação e equipamentos. Não é da noite para o dia que se faz uma prova dessas”, relata.

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A parceria com Egon Dörr, seu amigo desde os cinco anos de idade, foi outro fator essencial para o sucesso da dupla. “A gente pedala junto há muitos anos. Estar com o meu melhor amigo traz segurança. Só de olhar um para o outro já sabemos o que precisa ser feito. A afinidade é muito forte”, destacou.

Tomás Boeira e Egon Dörr celebrando a conquista no BikingMan | abc+



Tomás Boeira e Egon Dörr celebrando a conquista no BikingMan

Foto: Bikingman/Divulgação

Futuro

Depois do feito histórico, a dupla já mira novos desafios. O plano é seguir competindo em provas internacionais e ampliar a presença no circuito mundial. “Nosso sonho é, no ano que vem, correr uma prova fora do Brasil, talvez a do Peru, e também repetir a etapa brasileira. Queremos disputar duas provas do circuito mundial do BikingMan e, quem sabe, no futuro, participar de todas as etapas”, projeta Tomás.

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Sem desculpas

Para o ciclista, o desafio teve um significado especial. Diagnosticado com diabetes tipo 1 desde os 9 anos, ele vê o esporte como uma forma de inspirar outras pessoas a superar limites. “Acho que esse é um desafio bem interessante e serve de motivação para o pessoal que muitas vezes usa a saúde como desculpa para não praticar esportes. O maior desafio é lidar com isso e enfrentar de uma maneira leve”, contou o ciclista, que começou no esporte aos 15 anos, em uma equipe voltada a atletas com diabetes, no Instituto da Criança com Diabetes, com o professor Winston Boff.

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