A rivalidade entre Novo Hamburgo e Aimoré ganha novo capítulo neste domingo (10), às 19h30, no Estádio do Vale, com a partida de ida das semifinais da Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho. O jogo de volta será no domingo seguinte (17), no Estádio Cristo Rei, em São Leopoldo. Quem avançar, além de garantir vaga na decisão da Série A2, estará automaticamente classificado para a elite do futebol gaúcho em 2026. Já o eliminado terá de disputar novamente o torneio no ano que vem.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Na primeira vez em que se enfrentaram neste ano, também no Estádio do Vale, pela fase de grupos, os clubes não saíram do 0 a 0. Mas fora das quatro linhas, a tensão ficou marcada por um confronto entre torcedores na chegada da delegação aimoresista ao estádio – cena interrompida pela atuação da Brigada Militar. Agora, cerca de 300 torcedores visitantes são esperados em espaço reservado à torcida do Aimoré, enquanto o clube mandante prevê público de até 2 mil anilados.
Em meio à expectativa pelo clássico, dois torcedores apaixonados decidiram deixar a rivalidade de lado fora de campo e fazer um apelo conjunto por paz nas arquibancadas.
Disputa só dentro do campo
Thomas Campagnoni, 29 anos, é torcedor do Novo Hamburgo desde os 9, quando foi com o pai ao antigo Estádio Santa Rosa ver o Anilado vencer a Copa da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), em 2005, contra a Ulbra. “Minha primeira experiência já foi com título”, relembra. Ele diz que vive o clube de forma intensa, frequenta o Estádio do Vale várias vezes por semana e conhece todos os funcionários.
“Vamos deixar a briga para os atletas dentro do campo, para eles decidirem na bola. Cada um fazendo sua parte, cantando mais alto, mas com a rivalidade apenas dentro das quatro linhas. Fora do campo, tem que ser todo mundo parceiro”, afirma. Confiante na vitória, Thomas acredita em um 2 a 0 para o Noia neste primeiro duelo.
“Torcida anilada e todos os hamburguenses, convido a virem ao Estádio do Vale para acompanhar nosso time rumo ao acesso. Voltar para onde nunca deveríamos ter saído, e cravar mais uma vitória dentro do clássico”, completa.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Do outro lado, o torcedor Salomão Furer Junior, 51 anos, representa o Aimoré com a mesma paixão. Natural de Porto Alegre, mas morador de São Leopoldo desde 2000, viu o clube reabrir suas portas pouco depois de sua chegada à cidade, e desde então não faltou mais aos jogos. “Torcer para o Aimoré dita o nosso humor. Quando o Aimoré está bem, a gente está feliz. E a gente pretende ficar feliz depois desse confronto com o Novo Hamburgo”, brinca.
Salomão também reforça o apelo por respeito nas arquibancadas: “Que tudo ocorra na paz, que a torcida se comporte como o esporte deve ser. Torcida do Índio, vamos comparecer no Estádio do Vale para lotar nosso espaço, que será pequeno para a torcida do Aimoré. Talvez o melhor fosse inverter o local das torcidas, porque a maior torcida do Vale também merece o maior espaço”, provoca, prevendo um placar apertado: “Vai ser 1 a 0 para o Aimoré”.
Rivalidade saudável
O encontro entre os dois torcedores ocorreu nesta quinta-feira (7), no Estádio do Vale, pouco antes do treino da tarde comandado pelo técnico anilado Rogério Zimmermann. Ao ver os torcedores unidos pelo futebol, o treinador fez coro ao pedido de civilidade. “É isso aí. É muito importante fazermos essas ações e mostrar que a rivalidade deve ser saudável e ficar dentro de campo”, afirmou Zimmermann.