O céu de Brasília recebe nesta semana mais uma edição do Campeonato Brasileiro de Asa Delta, a principal competição do esporte no País. Entre os competidores está Cesar Castro, 53 anos, microempresário e morador de Sapiranga, que voa representando a Associação Gaúcha de Voo Livre (AGVL). (Veja o vídeo no fim da matéria).

Foto: Divulgação
O campeonato começou no último domingo (24) e segue até sábado (30), com provas que variam de 80 a 150 quilômetros, exigindo dos pilotos preparo físico e emocional para encarar até mais de cinco horas de voo por dia, em condições extremamente turbulentas.
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Trajetória no esporte
Cesar tem longa trajetória no esporte. Tetracampeão gaúcho na elite do Campeonato Gaúcho de Asa Delta, soma mais de três décadas de experiência no voo livre.
Além das conquistas, o sapiranguense destaca a importância de representar o Sul e a AGVL, entidade que já soma cerca de dez títulos nacionais com nomes como André Wolf, Betinho Schmidt e Rafael Mello. “É uma responsabilidade muito grande voar representando o Sul”, afirma.
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Mesmo com tantos títulos, o piloto segue traçando novos objetivos. A meta agora é buscar pontuação suficiente para se classificar novamente entre os melhores do País, garantindo presença no time brasileiro.
Ele explica que o Mundial de 2027, que será disputado em Andradas (MG), deve reunir pilotos em provas de longa distância, nas quais vence quem chega primeiro ao destino ou, caso ninguém consiga completar o percurso, quem alcançar maior distância.
Na terça-feira (26), “tivemos uma prova de 100 km. Preciso melhorar a colocação para poder participar do mundial, mas ainda temos tempo. Esse é o meu objetivo”, projeta.
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Paixão que vem de infância
Apaixonado por voar desde criança, Cesar também é piloto de parapente e de trike, além de instrutor. Ele já participou de eventos em diferentes partes do Brasil e do mundo, atuando inclusive como piloto de trikes rebocando asas-delta em competições no Jalapão (TO), no Equador e na Espanha.
“Cada equipamento tem seu encanto. A asa-delta é mais rápida, o paraglider mais prático, e os trikes permitem passeios longos levando um passageiro, com até três horas de autonomia”, comenta.
Sobre a preparação para o campeonato em Brasília, o piloto destaca o alto nível técnico dos competidores. Três dos inscritos figuram entre os dez melhores do mundo, com rotina de treinos intensos em estados como Minas Gerais e São Paulo, que oferecem condições ideais para o esporte.
No Sul, segundo ele, o inverno acaba limitando os voos, já que o aquecimento do solo pelo sol é essencial para alcançar grandes altitudes. “Fisicamente é extremamente desgastante, o esforço e o estresse são muito grandes, mas é isso que torna a competição tão desafiadora”, ressalta.
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Incentivo a novos pilotos
Com mais de 30 anos de experiência no voo livre, Cesar também faz questão de incentivar novos pilotos. Hoje, ele se dedica mais à escola de trikes (asas-delta motorizadas) localizada em Glorinha e que em breve deve migrar para Taquara, mas ressalta que Sapiranga conta com ótimos instrutores de asa-delta e parapente para quem deseja iniciar no esporte.
“O curso dura em média seis meses. Depois de dominar o equipamento em voos baixos, o aluno está apto a voar da montanha, ainda com orientação do instrutor, até conquistar autonomia total”, explica.
Para quem sonha em iniciar no voo livre, Cesar reforça a importância da dedicação e do respeito às normas de segurança.
“É um esporte muito seguro, desde que os limites de segurança sejam respeitados e os equipamentos recebam manutenção adequada. A evolução é lenta e gradual, exige determinação e foco. Mas é uma experiência incrível, que nos proporciona visuais e momentos muitas vezes surreais”, conclui.