O basquete brasileiro e mundial se despede nesta sexta-feira (17) de um de seus maiores nomes. Oscar Schmidt morreu aos 68 anos, deixando um legado incomparável dentro das quadras e uma trajetória marcada por feitos históricos. O eterno “Mão Santa” enfrentava um tumor cerebral desde 2011.
Oscar havia sido levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em São Paulo, onde faleceu.

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Na história
Nascido em Natal-RN, Oscar construiu uma carreira de 25 temporadas como profissional e números que atravessaram gerações. Com 49.703 pontos, é o segundo maior pontuador da história do basquete mundial — superado por LeBron James em 2024 —, além de ser o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos em cinco edições consecutivas.
Em Olimpíadas, foi protagonista recorrente e dono de atuações memoráveis. A mais emblemática ocorreu nos Jogos Olímpicos de Seul 1988, quando marcou 55 pontos contra a Espanha — recorde de pontuação em uma única partida na história do torneio.
Pela Seleção Brasileira, também escreveu capítulos marcantes. O principal deles foi o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Na final, liderou o Brasil na vitória por 120 a 115 sobre os Estados Unidos, resultado histórico que representou a primeira derrota dos norte-americanos em casa na competição. Oscar ainda conquistou o bronze no Mundial de 1978, nas Filipinas, e encerrou sua trajetória com a seleção com 7.693 pontos em 326 partidas oficiais, entre 1977 e 1996.
Reconhecimento no exterior e na NBA
Fora das quadras, o reconhecimento à sua grandeza também se refletiu em homenagens de peso. Em 2013, foi incluído no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, em Springfield, nos Estados Unidos, uma das maiores honrarias do esporte mundial. Na cerimônia, foi apresentado por Larry Bird, em um momento marcado pela emoção e pelo reconhecimento internacional de sua carreira.
Mais recentemente, em abril deste ano, passou a integrar também o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. Por conta do estado de saúde, não pôde comparecer à cerimônia e foi representado pelo filho, Felipe Schmidt.
Recusa ao basquete norte-americano
Oscar Schmidt chegou a ser selecionado no Draft da NBA de 1984 pelo New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets), mas optou por não atuar na liga norte-americana. Na época, a FIBA não permitia que jogadores da NBA defendessem suas seleções nacionais, o que levou o “Mão Santa” a priorizar a carreira com a Seleção Brasileira.
Oscar abriu mão da NBA para seguir vestindo a camisa do Brasil em competições internacionais. “Eu recusei e os caras falaram que não acreditaram. Meu amigo, a NBA não chega aos pés da minha Seleção Brasileira. Eu fiz isso com um orgulho danado. Isso foi em 1984, e três anos depois ganhamos o Pan-Americano”, relembrou, em entrevista à CNN, em 2024.
Ao longo da carreira, o ala construiu uma trajetória sólida por clubes do Brasil e da Europa. No país, defendeu equipes como Palmeiras, Sírio, América do Rio, Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie/Microcamp e Flamengo. No exterior, atuou por times como Juvecaserta, Pavia e Forum Valladolid.
Nota da família
A família divulgou uma nota sobre a morte do ex-jogador. “É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo. Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.