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Informe Especial

Como as pessoas passam o tempo online em Porto Alegre?

Com quase cinquenta anos de história, a Procempa transformou Porto Alegre numa “cidade-fibra”. A Infovia municipal, hoje com 1.000 km de cabos ópticos enterrados ou lançados em postes, interliga equipamentos públicos e ainda serve de espinha dorsal para dezenas de pontos de Wi-Fi grátis em parques, terminais de ônibus e bibliotecas.

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Esse investimento explica por que navegar ficou parte do cotidiano, com 94,1% dos domicílios urbanos brasileiros já tinham acesso à internet, proporção que na capital gaúcha acompanha, e em alguns bairros supera, a média nacional.

Com a banda larga farta, a tela do celular virou um canivete suíço. Trabalhar, estudar e, sobretudo, se divertir online é a moda da vez. Pesquisa TIC Domicílios 2024 mostra que 86% dos moradores de áreas urbanas são usuários regulares da rede, e 96% deles se conectam todos os dias ou quase todos.

Cripto-entretenimento e novas experiências

Com o interesse por ativos digitais aumentando, segundo a Receita Federal, surgem formas de lazer que trocam reais por tokens. Entre elas estão os cripto cassinos, plataformas que aceitam Bitcoin ou stablecoins e oferecem desde máquinas de slots provably-fair até mesas de pôquer transmitidas via live streaming.

Para o usuário porto-alegrense já acostumado a Pix e cashback, a vantagem é não precisar converter moeda. Os dados reforçam a percepção de que o gaúcho digital gosta de experimentar novidades tecnológicas quando o custo de entrada é baixo e a usabilidade lembra fintech.

Enquanto isso, programas municipais como o Wi-Fi Porto Alegre Livre ampliam o alcance de redes públicas em periferias. Em 2024, a prefeitura adicionou 34 novos hotspots, crescimento de 70% em relação a 2020, mantendo o tráfego médio diário acima de 35 TB.

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Quem explora a orla do Guaíba percebe a conexão funcionando sem senhas, suficiente para carregar stories em 4K ou assistir a partidas do Inter via streaming. Esse dado também se relaciona com o TIC Domicílios, que aponta a televisão conectada, típica dos bares na Avenida Ipiranga, como dispositivo que mais ganhou terreno, pois 60% dos internautas já usam o aparelho para acessar vídeo online.

Streaming muda a lógica do prime time e Games trazem a cultura do competitivo

Entretenimento audiovisual reina absoluto nas noites porto-alegrenses. A fuga da TV paga, cujo número de assinantes no Brasil despencou de 19,6 milhões, em 2014, para 9,5 milhões, em maio de 2024, abriu espaço para uma explosão de plataformas de vídeo sob demanda. De acordo com uma pesquisa da Comscore, o brasileiro médio paga por oito serviços de streaming.

Se o streaming ocupa a noite, a madrugada gaúcha pertence aos games. O reflexo nacional desse interesse pode ser medido pelo recorde de audiência do CBLOL 2024, onde o Split 1 bateu 459 mil espectadores simultâneos.

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Em outras palavras, a capital gaúcha vive o que poderíamos chamar de “tempo líquido online”: atividades que se sobrepõem, um episódio visto no tablet, uma aposta em cripto, o chat de uma live de e-sports, tudo enquanto o ônibus cruza a Ipiranga sob 5G. Quando a tecnologia vira pano de fundo invisível, o lazer digital torna-se menos ritual e mais respiração.

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