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Informe Especial

Correios e Blockchain: Já se fala de usar blockchain para agilizar a entrega de pacotes no

Em março desse ano os Correios publicaram o Edital de Pré-Seleção e Diálogo n.º 25000001/2025 CS, convidando empresas de tecnologia a oferecer soluções de blockchain e inteligência artificial capazes de redesenhar seus fluxos logísticos, de suprimentos e de atendimento ao cliente.

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A chamada ressalta a busca por ferramentas que garantam rastreamento em tempo real, contratos inteligentes para compras internas e uma identidade digital de endereços para fidelizar usuários. O acontecimento surge num momento delicado para a estatal. O balanço de 2024 fechou com prejuízo de R$2,6 bilhões.

Isso mais que quadruplica o resultado negativo do ano anterior, pressionando a empresa a cortar gastos e elevar eficiência. Ainda assim, a operação continua gigantesca, os relatórios corporativos mostram capacidade instalada para 5,4 milhões de encomendas por dia e uma média efetiva de 2,1 milhões de pacotes entregues diariamente em 5.552 municípios.

Por dentro da dor de entrega

Com a explosão do e-commerce, setor que faturou R$204,3 bilhões em 2024, somando 414,9 milhões de pedidos, segundo a ABComm, qualquer minuto economizado no trajeto entre depósito e porta do cliente vira diferencial logístico. A malha postal brasileira cobre 1,2 milhão de quilômetros rodados por dia.

Porém, atrasos em centros de triagem, disputas contratuais com transportadoras terceirizadas e fraudes em etiquetas ainda impactam a confiança do consumidor. O edital mira justamente nesses gargalos, prevendo que registros imutáveis em blockchain substituam checklists manuais, reduzindo reconciliações e simplificando auditorias.

Embora o documento não cite redes específicas, é provável que a preferência seja por blockchains públicas já bem estabelecidas. Isso pela robustez da infraestrutura, pela vasta comunidade de desenvolvedores e pelos padrões já consagrados de tokens e NFTs. Sendo assim, a escolha da melhor carteira Ethereum para funcionários, parceiros logísticos e mesmo clientes corporativos, por exemplo, pode ser um ponto crítico.

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Já que é ela que vai assinar smart contracts, validar recebimentos e custodiar possíveis recompensas em tokens. Opções mobile e hardware auditadas, critérios como autenticação multifator e compatibilidade com dApps empresariais são importantes. Um pacote que sai de Manaus rumo a Porto Alegre hoje recebe em média dez carimbos eletrônicos.

Indo desde a coleta e hubs aéreos até centrais regionais. Cada carimbo é, na prática, um ponto de falha. Se o dado não sincroniza, a atualização some do rastreio. Ao gravar cada evento em um bloco distribuído, o sistema elimina divergências de base, garante prova de entrega e pode liberar automaticamente o pagamento da transportadora assim que o destinatário confirma recebimento.

Em 19% das grandes empresas brasileiras o blockchain já é realidade na logística, de acordo com o relatório Ilos Fast Reports. Outras 42% planejam aderir nos próximos anos, mostrando que a estatal não quer ficar para trás. E os smart contracts também podem transformar aquisições internas.

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O edital reserva um dos “desafios” para suprimentos. Contratos inteligentes que executem cláusulas de fornecimento apenas quando critérios de qualidade e prazo forem validados on-chain, mitigando disputas e atrasos, um passo que a própria diretoria vê como essencial para cortar custos em um cenário de caixa apertado.

Carteiras, identidades digitais e o efeito na malha de e-commerce

A descentralização traz um componente novo ao cotidiano postal, o gerenciamento seguro de chaves. Em testes internos conduzidos no Centro Tecnológico de Valinhos, responsável por até 60 mil encomendas internacionais por dia, técnicos simulam rotas em que cada caixa ganha um NFT vinculado ao código de barras.

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O NFT muda de proprietário a cada transbordo, se o entregador perder a chave privada, o rastreio trava. Por isso, a padronização de carteiras, hardware para pontos fixos, apps custodiais para carteiros e plugins de navegador nos balcões, passou a integrar as discussões de arquitetura.

A implantação dialoga ainda com a proposta de criar uma “identidade digital de endereço”: um token atrelado ao CEP que registra preferência de horário, assinatura eletrônica e histórico de falhas na primeira tentativa de entrega. Se bem-sucedida, a solução pode reduzir reentregas, que hoje representam até 12% dos trajetos dos carteiros.

Para marketplaces e lojas virtuais, a promessa é simples: transparência auditável. Um seller que processa mil pedidos diários poderá integrar seu ERP a um nó permissionado da rede e enxergar, bloco a bloco, o percurso de cada pacote, informação valiosa num universo em que 30% dos contatos ao SAC ainda tratam de rastreio.

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Em contrapartida, os Correios ganham argumentos para negociar fretes premium e resgatar parte da fatia perdida para transportadoras privadas, que avançaram sobre rotas metropolitanas na última década. O cronograma oficial prevê que a estatal definirá um shortlist de fornecedores para o chamado “Diálogo Competitivo”.

Até lá, companhias de TI articulam consórcios e buscam cases. Como referência, a China processou 174,5 bilhões de encomendas em 2024, toda a malha postal conectada a APIs padronizadas; o Brasil, com 9,1 milhões de objetos diários, caminha para uma base rastreável de escala continental.

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