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Informe Especial

Futebol e rugby no Brasil: hegemonia absoluta de um lado, construção paciente do outro

Futebol e rugby no Brasil vivem realidades opostas: enquanto o futebol domina em audiência, receitas e impacto global, o rugby cresce de forma consistente, com novas ligas, mais atletas e presença internacional. Uma análise completa dos números, desafios e perspectivas até 2027

Falar de esporte no Brasil é, quase automaticamente, falar de futebol. O jogo moldou a identidade cultural do país, organizou calendários, criou ídolos globais e construiu uma indústria que movimenta bilhões. Mas, fora do eixo dominante da bola redonda, outras modalidades crescem em silêncio, e o rugby é talvez o exemplo mais interessante desse contraste estrutural.

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Rugby brasileiro avança passo a passo | abc+



Rugby brasileiro avança passo a passo

Foto: Divulgação

Enquanto o futebol vive um momento de reafirmação de poder econômico e simbólico, o rugby brasileiro avança passo a passo, apoiado em crescimento orgânico, profissionalização gradual e resultados pontuais no cenário internacional: um contraste que também se reflete na forma como o público acompanha o esporte, cruza dados de desempenho e analisa cenários competitivos, inclusive no universo das apostas, onde diferentes modalidades exigem leituras e expectativas distintas.

Nesse contexto ampliado, há quem busque informações e recursos especializados e aproveite o código promocional Novibet para entender melhor probabilidades e tendências. Não é uma disputa direta. É uma fotografia clara de como funcionam esportes em estágios completamente diferentes de maturidade.

Rugby: pequeno em escala, grande em tendência

O rugby brasileiro vive outra realidade. São cerca de 70 mil atletas registrados, distribuídos em proximadamente 350 clubes, com forte concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e região Sul. Os números são modestos quando comparados ao futebol, mas revelam algo importante: crescimento consistente. Entre 2020 e 2024, o número de praticantes aumentou cerca de 28%, impulsionado por três fatores principais:

  • o legado olímpico do rugby sevens (Rio 2016),
  • maior visibilidade internacional das seleções femininas,
  • e a criação de estruturas semi-profissionais.

Quase 38% dos atletas são mulheres, uma proporção incomum no esporte brasileiro e que explica parte do sucesso recente das Yaras, classificadas para a Copa do Mundo de 2025.

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Yaras: a geração que colocou o rugby feminino brasileiro no mapa mundial

A participação histórica da seleção feminina de rugby do Brasil — as Yaras — na Copa do Mundo de Rugby Feminino de 2025, disputada na Inglaterra, marcou um ponto de virada definitivo para a modalidade no país. O elenco combinou de forma inteligente a bagagem olímpica do rugby sevens com a dureza tática e física do rugby XV, mostrando maturidade competitiva mesmo diante de seleções tradicionais. Lideranças experientes como Raquel Kochhann, referência técnica e emocional dentro e fora de campo, e Luiza Campos, peça-chave na organização do jogo e na transição entre os formatos, deram estabilidade a um grupo em evolução.

No eixo defensivo, a capitã Eshyllen Coimbra simbolizou o crescimento coletivo, enquanto nomes mais jovens como Íris Coluna e Isadora Lopes trouxeram explosão física e profundidade ao elenco. Formadas em clubes como Charrua, Pasteur, Melina e Poli, muitas dessas atletas conciliam o alto rendimento com estudos ou trabalho, refletindo a realidade semi-profissional do rugby nacional. Ainda assim, o impacto da Copa do Mundo foi imediato: aumento de visibilidade, maior interesse de patrocinadores e fortalecimento da base feminina, que já representa cerca de 38% dos praticantes de rugby no Brasil. As Yaras não apenas competiram — abriram caminho para que o rugby feminino brasileiro deixe de ser promessa e passe a ser presença constante no cenário internacional.

Os Tupis e o limite competitivo atual

No masculino, a seleção conhecida como Os Tupis ocupa a faixa entre a 28ª e a 30ª posição do ranking mundial. Em 2025, o Brasil chegou ao torneio final de qualificação para a Copa do Mundo de Rugby de 2027, após vitórias expressivas como o 77 a 17 sobre o Paraguai, mas acabou eliminado no repechage internacional. O resultado foi frustrante, mas coerente com o estágio do projeto. O Brasil ainda enfrenta limitações claras:

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  • infraestrutura reduzida,
  • poucos centros de alto rendimento,
  • escassez de jogos de alto nível contra seleções Tier 1 e Tier 2 fortes.

Ainda assim, houve evolução. A exposição no Super Rugby Americas, com a franquia Cobras, elevou o padrão físico e tático de atletas-chave.

Competições nacionais: base do crescimento

No cenário doméstico, o rugby brasileiro é sustentado por campeonatos tradicionais e novas
tentativas de profissionalização. O Campeonato Brasileiro de Rugby (Super 16) segue como o torneio de elite desde 1964. Clubes históricos como o São Paulo Athletic Club continuam dominando, enquanto forças
regionais como Pasteur, Jacareí e Desterro sustentam competitividade.

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Mais recentemente, a Super Liga Paulista surgiu como experimento semi-profissional, aproximando o rugby de um modelo de franquias, com jogos mais bem produzidos, maior presença de público e atletas dedicados em tempo integral. É um passo pequeno, mas fundamental.

Atletas que simbolizam a evolução

Alguns nomes representam bem esse momento de transição:

  • André Arruda, No.8 com quase 50 jogos internacionais, formado no ambiente do Super Rugby Americas.
  • Wilton Rebolo, pilar sólido, referência técnica no scrum.
  • Ben Donald, neozelandês radicado no Brasil, que eleva o nível físico e organizacional dos clubes.
  • Matteo Dell’Acqua, veterano do SPAC, símbolo de continuidade e cultura de clube.

Esses atletas transitam entre clubes e seleção, criando uma espinha dorsal técnica — algo essencial para países emergentes no rugby.

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Salários no rugby brasileiro: realidade modesta em um esporte ainda em transição

No rugby brasileiro, a remuneração dos atletas reflete com bastante clareza o estágio amador a semi-profissional da modalidade no país, especialmente quando comparada ao futebol. Mesmo nos clubes de elite do Super 16, como o São Paulo Athletic Club ou o Pasteur, os jogadores mais valorizados — casos de André Arruda e Wilton Rebolo — recebem, em média, entre US$ 1.000 e 1.500 por mês (cerca de R$ 5.500 a R$ 8.000).

Esse valor não vem de uma única fonte, mas da soma de pequenos aportes: bolsas pagas pelos clubes, ajudas por jogo da CBRu (que podem chegar a US$ 500–1.000 por convocação) e programas governamentais como o Bolsa Atleta, que garante até R$ 3.750 mensais para atletas da seleção.

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Ainda assim, a maioria dos jogadores recebe pouco ou nada, atuando de forma voluntária ou apenas com ajuda de custo e material esportivo. Mesmo no alto nível, o rugby nacional exige que muitos atletas conciliem treinos, viagens e jogos com estudos ou outras profissões — um contraste direto com o futebol, mas também um retrato honesto de um esporte que cresce em estrutura e visibilidade, ainda longe de sustentar carreiras plenamente profissionais no Brasil.

Futebol x Rugby: comparação sem ilusão

Colocar futebol e rugby lado a lado no Brasil não é uma disputa. É uma leitura de ecossistemas distintos.

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O futebol vive um platô de maturidade: cresce pouco em número de praticantes, mas maximiza valor econômico, audiência e influência global. O rugby, ao contrário, cresce em base, em diversidade e em presença feminina, mesmo com receitas anuais ainda abaixo de US$ 3 milhões.

O futebol domina o imaginário nacional. O rugby constrói identidade em nichos: universidades, comunidades regionais, projetos sociais e categorias femininas.

O que vem pela frente

Até 2027, o rugby brasileiro dificilmente romperá a barreira do Tier 2 global. A projeção mais realista aponta para uma estabilização entre a 25ª e a 28ª posição do ranking, com maior consistência regional, especialmente contra Chile e Uruguai.

Já o futebol seguirá sendo o centro gravitacional do esporte nacional — mais rico, mais visível, mais influente.

Mas o contraste não é negativo. Ele revela algo essencial: o Brasil não é uma potência esportiva de um esporte só. É um país onde até modalidades marginalizadas conseguem crescer quando há planejamento, paciência e identidade.

O futebol reina.

O rugby aprende, cresce e insiste.

E, no longo prazo, é assim que esportes realmente se constroem.

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