abc+

ENTREGA

Abel Braga operou o coração 15 dias antes de salvar Inter da Série B: "Vim porque acreditava"

Treinador aiu da aposentadoria como por oito dias com a missão de salvar o Colorado do rebaixamento à Série B

Publicado em: 10/12/2025 às 22h:11 Última atualização: 10/12/2025 às 22h:12
Publicidade

Abel Braga saiu da aposentadoria como treinador por oito dias com a missão de salvar o Internacional do rebaixamento à Série B. Segundo ele próprio, só aceitou o desafio porque acreditava que era possível. Então, disse “sim” à direção colorada apenas 15 dias depois de passar por uma cirurgia no coração.

Publicidade

Abel Braga salvou o Inter do rebaixamento | abc+



Abel Braga salvou o Inter do rebaixamento

Foto: Ricardo Duarte/Inter

Desde 2022, Abel não trabalhava como treinador. Nesse intervalo, ele atuou apenas como diretor técnico no Vasco até 2023. Depois dos oito dias no comando do Inter, já garante: “Vocês não me veem mais na beira do campo”. O clube passa por uma reestruturação do departamento de futebol, mas ainda não há confirmação de que ele assumirá outro cargo.

“Vocês sabem o que eu estava fazendo sexta-feira retrasada, há 15 dias? É a pressão que o treinador sofre no Brasil… Estava fazendo ablação no coração. É a quarta que eu faço”, disse em sua apresentação ao elenco do Inter, conforme revelou um vídeo de bastidores divulgado pelo clube nesta terça-feira.

Após a vitória colorada por 3 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, combinada de resultados paralelos que mantinham o Internacional na Série A, Abel Braga voltou a falar em coração. “Eu segui meu coração quando vim para cá, mas porque eu acreditava”, discursou.

O treinador enfatizou em diferentes momentos que o motivo para crer que era possível salvar o Internacional era o primeiro tempo do time contra o Santos. A partida acabou empatada por 1 a 1.

Publicidade

O vídeo publicado pelo clube gaúcho mostra como Abel chegou em Porto Alegre. Tratado como um super-herói, o treinador foi enfático com torcedores: “Não vão xingar os caras (jogadores)” e ouviu sobre como o CT havia sido destruído pela enchente em 2024.

Todo funcionário cumprimentado sorria ao ver o técnico campeão mundial com o Internacional. A maioria respondia: “Vamos melhorar”, quando Abel perguntava como eles estavam.

O ambiente ficou tão mais relaxado a ponto de o técnico ultrapassar o limite, com uma fala homofóbica na sua primeira coletiva de imprensa. Pouco antes, na primeira conversa com os jogadores, ele foi mais preciso nas colocações.

Publicidade

“Isso aqui (apontado para o escudo na camisa) é como se fosse a minha vida. O ‘Braga’ no meu nome é como se estivesse neste símbolo”, falou e completou: “Não fiquem tristes, que vai ficar uma m… Não vai cair p… nenhuma. Acredita.”

Após a estreia, com derrota para o São Paulo por 3 a 0, restava apenas um jogo e era necessário que outros resultados contribuíssem. “Domingo não tem p… nenhuma. Tem de ganhar. Eram 180 minutos, 90 já foram para o c…”.

Publicidade

O tom era outro logo antes do jogo da última rodada. “A ansiedade é ruim. A omissão é pior ainda. Só tem um jeito de fazer superação. É com equilíbrio. Sejam vocês Ninguém quer que vocês sejam diferentes”, orientou.

Depois de confirmada a vitória e ser abraçado por jogadores e funcionários sob agradecimentos, Abel Braga voltou a discursar: “Bastou nós sermos nós mesmos.”

No dia seguinte, ele já não era mais treinador e não foi ao CT. Negou entrevistas e disse ao assessor de imprensa (que, na verdade, atende ao filho de Abel, Fabio Braga, e estendeu o serviço) que iria apenas tomar um vinho.

Publicidade

Abel Braga retornou à aposentadoria. Ao menos como treinador. Ele diz que não volta, ainda que tenha aberto um precedente para “desaposentar”. Mas apenas se ele acreditar na missão que lhe é dada.

Publicidade