No Brasil, a compra de um carro geralmente não é feita somente pelo desejo ou gosto do comprador. Grande parte dos motoristas escolhe o veículo considerando a futura revenda, avaliando quanto poderá recuperar do investimento.
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Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Esse comportamento influencia diretamente o mercado de usados e até como as montadoras definem seus lançamentos. Mais do que estilo, o que está em jogo é o quanto o veículo vai se desvalorizar assim que sair da concessionária.
Escolha da cor
O mercado tem rejeitado tons fortes. Carros vermelhos, verdes e amarelos perderam espaço para os neutros. Quem arrisca cores chamativas pode até ter dificuldade de encontrar comprador.
“A cor vai além da questão de estilo, mas no momento da revenda ela se transforma em um fator de negociação”, disse Ycaro Martins, CEO da Vaapty, em entrevista ao Jornal do Carro.
Segundo ele, as opções mais neutras são as mais procuradas e isso impacta diretamente no preço. Já veículos muito chamativos acabam sofrendo desvalorização extra na troca.
Quilometragem
Outro ponto crucial é o hodômetro. Quanto mais rodado, menor a chance de segurar valor. Em casos extremos, a quilometragem alta pode reduzir até 20% do preço de revenda.
O cuidado deve ser redobrado porque não faltam casos de fraude. Muitos golpistas adulteram o marcador para enganar compradores e conseguir valores acima do justo.
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Estado de conservação
Lataria, pintura e interior fazem diferença. Amassados, ferrugens ou bancos desgastados derrubam o valor. Antes da venda, polimento e retoques podem ser grandes aliados.
Para quem compra, o histórico de batidas também é essencial. Saber se o carro já passou por colisões evita surpresas desagradáveis no momento da negociação.
Revisões em concessionária
Outro critério valorizado são as manutenções registradas. “Carros com revisões feitas em concessionária costumam valer mais”, destacou Martins na entrevista.
Na contramão, veículos com peças não originais ou reparos mal executados tendem a sofrer desvalorização maior, já que geram desconfiança sobre sua durabilidade.
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Marca e modelo
A reputação do carro também influencia. O Volkswagen Gol, mesmo fora de linha, segue líder entre os usados. A facilidade de manutenção e de achar peças pesa nessa preferência.
Modelos com baixa aceitação, ou já descontinuados e sem status de clássico, perdem valor mais rápido. A confiança do mercado na marca pode ser decisiva no preço final.
Cuidados extras
Além da manutenção, evitar modificações radicais ajuda a preservar valor. Alterações como suspensão rebaixada, som muito potente ou rodas exageradas afastam compradores.
Pequenos investimentos podem ajudar. Repintura, vitrificação ou revisão em dia são medidas que reduzem a perda na revenda. Já melhorias, como som ou acessórios extras, devem ser usados como argumento de negociação.