Em meio à escalada de tensão envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, os Emirados Árabes Unidos foram alvo de mísseis e drones nos últimos dias. Há dois anos e meio vivendo em Dubai, a professora de Novo Hamburgo Michele Crisane Abdo relata como está o clima na cidade.
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Foto: Reprodução/Redes sociais
Segundo ela, mesmo com o som de explosões ecoando em diferentes horários do dia — e apesar dos receios que surgem diante da situação —, a sensação de segurança permanece forte. Um dos motivos, afirma, é o fato de o governo local manter a população informada e sob orientação constante.
“O que mais assusta é o barulho. As explosões assustam muito”, relata.
Alertas sonoros e fechamento do espaço aéreo
Michele conta que, quando os ataques começaram, no sábado (28), os moradores passaram a receber alertas sonoros diretamente nos celulares sempre que há risco iminente. As mensagens orientam a população a permanecer longe de janelas, portas e áreas abertas, e buscar abrigo em local seguro.

Foto: Arquivo pessoal
“Eles mandam aviso antes e também avisam quando a situação está controlada.”
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Desde então, o governo também recomendou home office até esta quarta-feira (4) e mantém o espaço aéreo fechado por motivos de segurança. Ainda assim, nesta segunda-feira (2), ela conta que a rotina já parecia mais próxima do normal. “Hoje eu saí de casa, fui ao mercado e vi as pessoas na rua… está todo mundo vivendo.”
“Mesmo dentro da guerra, a gente se sente seguro”
Apesar das explosões ouvidas inclusive durante o dia, a população não entrou em pânico, segundo a hamburguense. “Ninguém estocou comida. Está tudo normal. O governo passa muita segurança.”

Foto: Reprodução
À noite, no entanto, a tensão aumenta. “A gente fica mais apreensiva porque a gente não sabe o que vai acontecer e não tem horário para acontecer.” Mesmo assim, ela reforça que se sente protegida. “Mesmo estando dentro da guerra, a gente se sente segura. É impressionante o cuidado e a assistência que recebemos.”
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A preocupação maior, diz, vem da família no Brasil, que acompanha notícias e vídeos nas redes sociais. “Minha família me manda muitos vídeos porque fica preocupada, mas muita coisa não está acontecendo aqui. Hoje eu gravei um vídeo na rua para mostrar que está tudo normal.”

Foto: Arquivo pessoal
Natural de Novo Hamburgo, mas com descendência árabe, Michele trabalhou por mais de 15 anos como professora de português e espanhol no Vale do Sinos antes de aceitar uma proposta para atuar em uma agência de turismo em Dubai que atende brasileiros.
Mudou-se sozinha e, um ano depois, levou o filho, goleiro de futebol que hoje atua em um clube da cidade. Os treinos do jovem chegaram a ser suspensos nos primeiros dias do conflito, mas devem ser retomados já nesta terça-feira (3).
“Eu nunca imaginei passar por isso, mas a gente consegue continuar a rotina, com cuidado”, afirma.