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FENÔMENO CLIMÁTICO

El Niño: Nível do mar sobe 15 centímetros no Pacífico e Nasa emite alerta para cenário semelhante a episódios históricos

Satélites mostram aquecimento forte perto da costa do Peru, reforçando a chance de um El Niño mais intenso neste ano

Nadine Funck
Publicado em: 28/05/2026 às 12h:09 Última atualização: 28/05/2026 às 12h:09
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A rápida elevação do nível do mar reforça o alerta para um episódio intenso de El Niño neste ano. Após a divulgação dos dados de altimetria por satélite do serviço europeu Copernicus Marine Service, foi a vez da Nasa emitir comunicado sobre o assunto. 

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Aumento do nível do mar com El Niño | abc+



Aumento do nível do mar com El Niño

Foto: JPL/Nasa

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A MetSul Meteorologia explica que o aumento do nível do mar com El Niño ocorre porque a água se expande quando aquece. Desta forma, regiões do oceano mais quentes ficam fisicamente mais elevadas.

Dados do satélite Sentinek-6 Michael Freilich, lançado pela Nasa em parceria com agências europeias, mostram que áreas próximas da costa do Peru chegaram a apresentar níveis do mar até 15 centímetros acima da média histórica em meados de maio, o que evidencia o forte aquecimento das águas superficiais do Pacífico Leste.

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Onda Kelvin

As responsáveis por esse processo são as chamadas Ondas Kelvin, que se tratam de grandes pulsos de água quente que atravessam Pacífico de Oeste para Leste ao longo da linha do Equador. 

A meteorologista Estael Sias explica que esses fenômenos surgem quando os ventos alísios, que normalmente sopram de Leste para Oeste, enfraquecem ou mudam temporariamente de direção. Com isso, a água quente acumulada no Pacífico Oeste começa a migrar em direção à América do Sul.

Conforme observado pela Nasa, uma primeira Onda Kelvin surgiu perto da Micronésia no fim de janeiro, mas perdeu força nas semanas seguintes. A segunda, contudo, começou a se formar no início de março e avançou gradualmente pelo Pacífico, intensificando o aquecimento da água próximo da costa sul-americana.

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Comportamento semelhante a episódios intensos anteriores

O cientista Josh Willis, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, afirmou que o fenômeno “está começando a alcançar” a intensidade observada nos episódios de 1997 e 2015, considerados dois dos mais fortes já registrados.

Quando começa o El Niño?

O começo do episódio deve ser confirmado nas próximas semanas, no decorrer de junho, pela agência de tempo e clima dos Estados Unidos (NOAA).

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Impactos no Brasil

O País enfrenta os efeitos de formas diferentes historicamente:

  • no Norte, costuma provocar diminuição das chuvas, especialmente no norte e leste da Amazônia, o que contribuiu para um período mais seco e quente com favorecimento da propagação de queimadas e agravamento de incêndios florestais;
  • no Nordeste, os efeitos são mais críticos com a redução acentuada da precipitação. Essa ausência de chuva pode resultar em seca e falta de abastecimento de água, prejudicando a agricultura;
  • no Centro-Oeste, os impactos tendem a ser moderados, com leve tendência de chuva acima da média em algumas áreas, mas acompanha temperaturas mais elevadas. Há aumento da chance de queimadas no Pantanal e de episódios de calor intenso;
  • no Sudeste, o aumento das temperaturas é o principal sinal do fenômeno;
  • por fim, no Sul, o El Niño causa efeitos mais marcantes, com aumento significativo de chuva e maior frequência de episódios extremos, com risco de cheias de rios e enchentes, especialmente na primavera do primeiro ano e no outono do ano seguinte.

Nenhum El Niño é igual a outro

Os cientistas norte-americanos destacam, assim como meteorologistas da MetSul, que nenhum El Niño é igual ao outro.

“A intensidade dos impactos depende da força do aquecimento oceânico e também da interação com outros padrões climáticos globais. Ainda assim, os especialistas observam que episódios de El Niño quase sempre tornam o planeta mais quente e provocam mudanças importantes no regime de chuva em várias partes do mundo”, pontua Estael.

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