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SEGURANÇA

EUA rebatem Itamaraty e chamam de "absurda" hipótese de intervenção militar no Brasil

Departamento de Estado classificou como exercício de soberania a designação de PCC e CV como terroristas

Publicado em: 07/07/2026 às 22h:13 Última atualização: 07/07/2026 às 22h:13
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos chamou de “absurda” a hipótese de intervenção militar americana no Brasil, em resposta direta a um ofício do chanceler Mauro Vieira que alertou o Congresso brasileiro sobre os riscos da classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

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EUA rebatem Itamaraty e chamam de “absurda” hipótese de intervenção militar no Brasil

Foto: Casa Branca

A reação americana chegou por meio de nota enviada à CNN Brasil. Um porta-voz do Departamento de Estado rebateu o documento assinado por Vieira e encaminhado à Câmara dos Deputados, no qual o Itamaraty listou possíveis consequências da designação imposta pelos EUA às duas facções criminosas brasileiras.

A posição americana

Na nota, o porta-voz enquadrou a classificação das facções como exercício de soberania: “Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no exercício de sua própria autoridade soberana, para combater narcoterroristas.” O governo americano argumentou ainda que o PCC e o CV já atuam em território americano e que, por isso, os EUA têm o dever de proteger sua população.

A resposta mais direta ao Itamaraty veio no trecho final da nota, que atacou a própria premissa do alerta feito por Vieira ao Parlamento: “Alegações vagas de intervenção servem, muitas vezes, de pretexto para auxiliar e acobertar alguns dos grupos mais violentos do mundo.”

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O que diz o documento brasileiro

O ofício enviado por Mauro Vieira à Câmara, datado de 1º de julho de 2026, foi uma resposta formal a questionamentos dos parlamentares sobre as implicações da decisão americana. O texto alertou para uma série de riscos derivados da amplitude da legislação antiterrorismo dos EUA.

Segundo o documento, a aplicação da lei americana às facções brasileiras “pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal.” O Itamaraty registrou expressamente a possibilidade de “uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”; a frase motivou a resposta do porta-voz americano.

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O chanceler brasileiro defendeu ainda que a classificação como organizações terroristas seria desnecessária do ponto de vista da cooperação bilateral. Para o Itamaraty, o enquadramento das facções como organizações criminosas transnacionais já seria suficiente para viabilizar o trabalho conjunto no combate ao crime organizado. A classificação, argumentou Vieira, “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado.”

A CNN Brasil buscou o Itamaraty para obter uma reação às declarações do porta-voz americano, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem. A tensão diplomática entre os dois países permanece sem desfecho definido; de um lado, Washington reafirma o direito de agir dentro de sua jurisdição soberana; de outro, Brasília sustenta que a amplitude da legislação americana abre margem para consequências que vão muito além do combate ao crime.

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