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"Há uma chance de viver até os 150 anos": O que a ciência diz sobre a declaração do presidente da China

Afirmação de Xi Jinping aconteceu durante fala com Vladimir Putin e Kim Jong-un

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Publicado em: 08/09/2025 às 10h:58 Última atualização: 08/09/2025 às 11h:00
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Em conversa recente, o presidente da China, Xi Jinping sugeriu a líderes da Rússia e Coreia do Norte a possibilidade de seres humanos viverem por um século e meio.

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Na ocasião, é possível ouvir quando Xi Jinping afirma a Vladimir Putin e Kim Jong-un que “as previsões são de que, neste século, também há uma chance de viver até os 150 anos”.

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Foto: Pexels

Mas o que dizem os especialistas em geriatria sobre o aumento da expectativa de vida?

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Limite biológico

O limite biológico da vida humana conhecido atualmente está entre 120 e 125 anos, segundo cientistas. A pessoa mais longeva registrada foi uma francesa que faleceu aos 122 anos em 1997.

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A declaração do líder chinês sobre a possibilidade de alcançar 150 anos de vida neste século não encontra respaldo na ciência.

Segundo reportagem do g1, especialistas em longevidade humana consideram essa projeção improvável com base nos conhecimentos científicos atuais.

Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), refuta essa possibilidade. “Não há qualquer base científica hoje para se prometer uma idade de 150 anos, e muito menos a imortalidade. Então eu diria que não é plausível essa previsão ainda neste século”, declara.

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Nova expectativa de vida

Um estudo publicado na revista The Lancet em 2024 projeta que a expectativa de vida mundial aumentará apenas cerca de 5 anos até 2050, chegando a aproximadamente 78 anos.

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Oliva acrescenta que “o mais provável de acontecer é que mais pessoas atinjam essas idades mais avançadas, mas dificilmente a gente vai colocar esse número muito para cima”.

Milton Crenitte, médico geriatra e doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, explica os fatores que estabelecem o limite biológico humano.

“Isso é explicado principalmente por algumas questões como danos celulares, mutações, alterações nos cromossomos e nos sistemas imunológico e neurológico. Isso vai gerar uma idade limite, uma marca biológica para o fim da existência de todos nós”, afirma.

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Envelhecimento celular

Para os médicos, seria necessária uma ruptura tecnológica significativa para que humanos alcançassem idades tão avançadas quanto 150 anos. A biotecnologia representa uma importante aliada nessa busca, com pesquisas voltadas para retardar o envelhecimento celular.

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Valquiria Bueno, professora do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Unifesp, destaca avanços em pesquisas celulares. “Vários estudos estão em andamento para gerar células novas. Se for possível, a partir de células-tronco do próprio indivíduo, gerar células nervosas saudáveis, talvez seja possível retardar o aparecimento do Alzheimer, por exemplo”, explica.

O futuro da longevidade

As pesquisas sobre longevidade são realizadas em centros especializados ao redor do mundo, com acompanhamento de populações centenárias para compreender os fatores que contribuem para uma vida mais longa.

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Crenitte menciona progressos no tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento. “A gente tem evoluído muito no tratamento de alguns tipos de câncer e tem se estudado muitos novos medicamentos para prevenção de doenças como o Alzheimer e a demência”, afirma.

O futuro da longevidade humana ainda apresenta incertezas. “A gente não sabe direito o que vai acontecer no futuro. Não sabemos o efeito da catástrofe climática no corpo humano, por exemplo. […] Se o planeta não estiver habitável, não tem como a gente falar em expectativa de vida”, alerta Crenitte.

Para Oliva, o foco deve estar na qualidade de vida durante o envelhecimento. “Apesar dessa busca por uma idade mais avançada e até mesmo a imortalidade, o que a gente tem de concreto hoje é buscar medidas de prevenção e mudanças de estilo de vida para que a gente atinja uma idade avançada de modo funcional. A busca tem que ser por mais anos livres de doença e de incapacidade, muito mais do que simplesmente viver muitos anos”, conclui.

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