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ESTUDO DA IONOSFERA

HAARP é capaz de controlar o tempo? A verdade por trás da teoria da "arma militar" dos Estados Unidos

Programa usa diferentes instrumentos para estudar a ionosfera, uma das camadas mais altas da atmosfera da Terra; entenda

Publicado em: 19/06/2026 às 15h:42 Última atualização: 19/06/2026 às 15h:42
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No extremo norte dos Estados Unidos, em um lugar tão pequeno que não é considerado uma cidade, fica o coração de um programa “misterioso” que é o foco de diferentes teorias da conspiração há mais de 30 anos: o Programa de Pesquisa Ativa de Alta Frequência de Auroras — ou HAARP, na sigla em inglês, como é conhecido.

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Programa dos EUA é acusado de manipular tempo e ter causado diferentes catástrofes climáticas, como furacões e enchentes no RS | abc+



Programa dos EUA é acusado de manipular tempo e ter causado diferentes catástrofes climáticas, como furacões e enchentes no RS

Foto: Kirtland Air Force Base/Reprodução

Criado pelo Congresso dos EUA, o programa HAARP está situado em Gakona, uma comunidade considerada região censo-designada (RCD) do Alaska, e usa diferentes instrumentos para estudar a ionosfera, uma das camadas mais altas da atmosfera da Terra, responsável pela transmissão de ondas de rádio.

E desde a sua criação, nos anos 1990, ele tem causado polêmicas. O programa já foi acusado de causar desastres climáticos, “ferver” a atmosfera e até virou tema de livro, que especulou o “verdadeiro” uso da “tecnologia digna de filmes de Star Wars”.

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Causador das enchentes no RS e furacões nos EUA?

As teorias de conspiração parecem ser mais uma moda de 1990 sendo repetida nos anos 2020. Em 2024, o Rio Grande do Sul passou por enchentes trágicas que atingiram mais de 90% do Estado brasileiro, deixando 184 mortos e mais de 580 mil desalojados.

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Pouco após a tragédia, os adeptos das teorias foram para as redes sociais acusar o suposto culpado: o Programa Haarp. Segundo alguns internautas, os EUA teriam causado as chuvas exponenciais no Sul do Brasil.

O mesmo também foi dito de outros desastres, como diferentes furacões que atingiram os Estados Unidos ao longo dos anos, inclusive o Katrina.

Essa manipulação climática seria feita usando “antenas do HAARP”, algo que já foi desmentido diversas vezes. “Todos os furacões […] são fenômenos naturais que se formam sozinhos por conta de condições atmosféricas e oceânicas”, já falou sobre a teoria abertamente a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, em inglês).

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Essas “antenas”, que teriam supostos poderes, estão todas no Alaska e formam uma única ferramenta: o Instrumento de Pesquisa Ionosférica (IRI, em inglês), que estuda a ionosfera.

E ele não tem capacidade de influenciar o tempo na Terra, segundo o NOAA e a Universidade do Alaska. “Muito menos causar ciclones tropicais a milhares de quilômetros de distância”, explica a organização. “O Haarp é basicamente um transmissor de rádio grande.”

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Isso porque ele atua na ionosfera, quando as condições do tempo na Terra são produzidas nos níveis da troposfera e estratosfera. “Como não tem interação, não tem como controlar o tempo”, explica a universidade.

Algumas teorias até sugerem que o Programa HAARP consegue controlar a mente das pessoas, o que a universidade nega. “A neurociência é um campo complexo de estudos feitos profissionais da saúde.”

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Arma militar para mexer com o clima?

Não se sabe exatamente de onde os boatos sobre o Programa HAARP surgiram, mas as teorias da conspiração estão circulando há muito tempo. Em meados 1995, dois pesquisadores publicaram um artigo falando sobre o livro Angels Don’t Play the HAARP.

O próprio título faz um trocadilho com o nome do programa, já que Haarp significa harpa, instrumento que os anjos eram, e ainda são, muito associados. Na tradução livre, fica: “Anjos Não Tocam a HAARP”.

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Segundo as especulações da época, a HAARP acabaria “fervendo” a atmosfera mais alta da Terra e até poderia ser um teste para desenvolver uma “arma militar”. Essas preocupações foram tantas que o caso foi parar nas mãos de políticos ainda em 1996, o que não impactou a continuação do programa.

As acusações também foram negadas pela universidade. Segundo ela, os efeitos deixados na ionosfera não possuem uma grande duração. “Dependendo da altura da ionosfera onde os efeitos são originalmente produzidos, esses efeitos não são mais detectáveis depois de 10 minutos ou até segundos, aproximadamente.”

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De onde vem as teorias?

“O que provavelmente gerou desconfiança em relação ao estudo foi o financiamento por instituições militares e de defesa”, segundo o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, da Universidade de São Paulo (USP) Eder C. Molina.

No começo, o HAARP foi gerenciado por dois ramos do exército dos Estados Unidos: a Força Aérea e a Marinha. Mas o que começou como uma pesquisa militar, é totalmente gerido pela Universidade de Fairbanks do Alaska (UAF, em inglês) desde 2015.

Ainda em um artigo, publicado na revista Ciência Hoje, o geofísico explica que é muito pequena a probabilidade de que o programa tenha qualquer interferência observável no mundo ou no clima. Isso porque “a atuação dos sinais emitidos pelos instrumentos do HAARP ocorre em uma área relativamente pequena, em uma camada elevada da atmosfera”.

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Ionosfera: segredo da comunicação e geolocalização

A ionosfera, uma camada da atmosfera da Terra, fica aproximadamente entre 60 e 500 quilômetros de altitude. É nela que os sinais de rádio e de satélite se propagam de um lugar para outro na superfície do planeta, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) do governo do Brasil.

Segundo a Nasa, a camada é cheia de íons e elétrons que são energizados pelo Sol, algo que acontece em casos de ventos ou explosões solares, e até tempestades geomagnéticas, responsáveis pela criação das belíssimas Auroras Boreais, por exemplo.

O que os instrumentos do HAARP fazem é esquentar os elétrons e criar pequenas perturbações, similares às interações que acontecem naturalmente. Assim, é possível estudar os efeitos na camada, repetir experimentos e entender se as previsões feitas por cientistas estão corretas.

Curioso sobre o HAARP? Veja por si mesmo… literalmente

Ainda que as teorias da conspiração criem um grande mistério sobre o HAARP, o programa não é secreto. Quem não estiver convencido, quiser e puder, tem a oportunidade de ver com os próprios olhos os laboratórios onde o programa acontece.

Há alguns anos o HAARP está promovendo uma semana de portas abertas para os visitantes. Para se inscrever, ou entender melhor sobre o programa, é só entrar no site oficial, gerido também pela UAF, em: https://HAARP.gi.alaska.edu/.

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