O apocalipse pode estar próximo? É o que indica um texto de Isaac Newton, escrito no fim da vida do grande cientista. Segundo ele, tudo vai começar em 2060 A.D., mas não será exatamente o fim do mundo que todos imaginam.

Foto: WikimediaCommons/Reprodução
AD vem de Anno Domini em latim, ainda usado em alguns locais do mundo para delimitar os anos após o nascimento de Jesus Cristo. No Brasil, é utilizado Depois de Cristo (D.C.). Assim, segundo a profecia de Newton, o fim terá início em 2060, daqui apenas 35 anos.
“Quando ele fez isso, é seguro assumir que ele nunca achou que esta reflexão profética seria revelada ao público”, afirmou o pesquisador Stephen Snobelen, professor de Humanidades e História da Ciência e Tecnologia, na University of King’s College. Na verdade, ele não pretendia dar uma data totalmente assertiva, pelo medo de que um erro poderia “levar ao descrédito da Bíblia”.
Entretanto, de acordo com o cientista, Newton não quis dizer que o mundo iria acabar na data que marcou, pelo menos não literalmente. “O que Newton tinha em mente para 2060 não era o fim do mundo físico, mas o começo de um novo mundo (físico e humano).”
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Apocalipse em 2026? O que Newton quis dizer
“Apesar de Newton acreditar que haveria guerras e cataclismas próximos do fim, para ele, este período também significava a tempestade antes da calmaria”, explica Snobelen no site do The Newton Project e em um estudo publicado em 2003 e atualizado neste ano. Ou seja, é improvável que ele tenha visto o fim do mundo como algo literal.
“Para Newton, 2060 A.D. seria mais como um novo começo. O fim da época antiga e o começo de uma nova era”, afirma. No caso, a era Messiânica para os judeus e Reino de Deus para os católicos, ou Milenarismo.
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Newton acreditava que, próximo à data, Cristo voltaria e começaria um reinado de paz e apenas o verdadeiro gospel seria pregado. Porém, um pouco antes disso, haveria a grande batalha do Armagedom, quando várias nações iriam invadir Israel. É então que “Cristo e os santos iriam intervir e estabelecer o Reinado de Deus na Terra de 1 mil anos em todo o mundo”, afirma o pesquisador.
Ainda que Newton nunca tenha pretendido cravar um número correto, a data é considerada significativa por ter originado de um cálculo que veio muito tarde na vida do cientista, “e foi afirmada com um vigor incomum”.
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Newton, as profecias apocalípticas e 2060 A.D.
A história da profecia de Newton foi à público pela primeira vez em 2003, quando a BBC produziu um documentário sobre, colocando o fato na atenção do mundo. O texto caiu nas mãos da mídia após ter sido vendido no final de 1936 para o colecionador Abraham Shalom Yahuda. Após a morte dele, os papéis foram doados para Israel e, desde 1969, estão na Biblioteca Nacional de lá.
Além de matemático e físico, Newton é descrito como um “homem da Renascença”. “Trabalhando em teologia, profecia e alquimia”, além de óptica, conforme o professor. Inclusive, ele acreditava nas profecias apocalípticas e via nelas não apenas uma maneira de ver a como a história iria vir a acontecer, como identificava “um mal”. “Usando as palavras do próprio, ele estava convencido de que ‘as sagradas Profecias’ da Escritura não são nada além de ‘histórias de coisas que estão por vir’.”
Porém, ao mesmo tempo, ele acreditava que as profecias estavam escritas em uma linguagem “altamente simbólica” e que, para entendê-las, era necessário ter uma grande habilidade de interpretação. Para isso, ele usava o princípio dia-ano.
Ainda que ele tenha chego a uma data para o apocalipse usando a técnica, Newton acreditava que somente Deus saberia quando o fim poderia acontecer.