A Albânia pode criar o menor país do mundo ao ceder uma área da capital Tirana para estabelecer um Estado muçulmano soberano. A proposta do primeiro-ministro Edi Rama está em fase de elaboração legislativa.
O projeto aguarda votação no Congresso albanês desde que foi divulgado em 2024.

Foto: Marmontel/Flickr
O território seria instalado em um complexo no leste de Tirana. A proposta prevê um enclave soberano com administração própria, passaportes e fronteiras. Se aprovado, o novo Estado seria menor que o Vaticano em termos de dimensão territorial.
Modelo de funcionamento e liderança
Rama descreveu o Estado como uma entidade simbólica que seria “sem muros, sem polícia, sem exército, sem impostos ou outros atributos, mas uma sede, um estado espiritual.”
O primeiro-ministro justifica a iniciativa como forma de transmitir mensagem internacional sobre o islamismo. “Não deixem que o estigma dos muçulmanos defina quem são os muçulmanos”, declarou Rama.
O território permitiria consumo de álcool. Garantiria liberdade para as mulheres se vestirem conforme desejarem. Não imporia regras de estilo de vida, segundo informações do New York Times.
A liderança do novo Estado ficaria a cargo de Edmond Brahimaj, conhecido como Baba Mondi. O líder religioso afirma que pretende governar baseado em interpretação moderada do islamismo.
“Deus não proíbe nada; é por isso que nos deu mentes”, afirmou Brahimaj ao explicar sua abordagem de governança.
Resistência de lideranças religiosas
A proposta enfrenta resistência de lideranças religiosas e especialistas albaneses. A Comunidade Muçulmana da Albânia manifestou-se contrária à iniciativa quando do anúncio.
A instituição classificou o projeto como “um precedente perigoso para o futuro do país”. A organização destacou ser a única representante oficial do Islã no território albanês.
“Esta iniciativa, da qual tomamos conhecimento através da mídia, não foi discutida com as comunidades religiosas”, declarou a Comunidade Muçulmana da Albânia. A organização indicou o Conselho Inter-religioso da Albânia como fórum apropriado para debater o assunto.
O pesquisador Besnik Sinani, consultado pela agência Deutsche Welle (DW), avaliou que o plano pode comprometer o equilíbrio entre as religiões no país.
Sinani argumenta que a implementação da medida pode “perturbar os arranjos históricos da relação entre religião e Estado na Albânia”. Os arranjos foram estabelecidos desde a fundação do país.
Especialistas apontam risco de a Albânia ser rotulada como “Estado islâmico” caso a iniciativa seja concretizada.
A Ordem Mundial Bektashi defende que o projeto possui caráter exclusivamente espiritual. A organização afirma que o novo Estado “não terá outro objetivo senão a liderança espiritual”.
Com informações de g1.