O Relógio do Juízo Final atingiu a marca de 85 segundos para a meia-noite, o ponto mais próximo da destruição global em toda sua história. A atualização foi anunciada em 27 de janeiro de 2026 pelo Boletim de Cientistas Atômicos (BAS), que avaliou fatores como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, o comportamento das potências nucleares e o desenvolvimento da inteligência artificial. Os ponteiros avançaram três segundos em relação ao ano anterior.

Foto: Jamie Christiani/Bulletin of Atomic Scientists
A mudança ocorre em momento crítico para acordos de controle nuclear. O Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), assinado entre Estados Unidos e União Soviética em 1991, expira em 5 de fevereiro. Vladimir Putin propôs que as regras do acordo, que limita o número de ogivas nucleares implantadas a 1.550 por país, sejam observadas por mais um ano. Segundo reportagem da BBC, essa proposta representa uma tentativa de manter algum nível de estabilidade nuclear em um cenário geopolítico cada vez mais tenso.
O Boletim de Cientistas Atômicos avalia anualmente os riscos globais. Há 75 anos, esses especialistas publicam no “Boletim dos Cientistas Atômicos” suas conclusões sobre quanto tempo resta até a meia-noite simbólica.
O relógio foi criado em 1947 por cientistas preocupados com os riscos da tecnologia nuclear. Os ponteiros inicialmente marcavam sete minutos para a meia-noite. Após a primeira fissão nuclear controlada em 1942, pesquisadores fundaram o Boletim em Chicago, organização que posteriormente criou o relógio como símbolo do risco de autodestruição da humanidade.
Em 2020, os ponteiros indicavam 100 segundos, posição mantida até 2022. Em 2023, avançaram para 90 segundos, permanecendo assim em 2024. Em 2025, recuaram para 89 segundos, antes do atual avanço para 85 segundos.
O ponto mais distante que o relógio já esteve da meia-noite foi 17 minutos, após o fim da Guerra Fria em 1991, quando foi assinado o Tratado Start. Em 1949, após o primeiro teste nuclear soviético, os ponteiros foram adiantados para três minutos. Em 1953, com a detonação das primeiras bombas termonucleares pelos EUA e URSS, o relógio avançou para dois minutos, a marca mais próxima da meia-noite no século 20.
Em 1945, cientistas contribuíram para a elaboração do Relatório Franck, documento que alertava sobre os riscos de uma escalada nuclear e se opunha a um ataque surpresa contra o Japão.
Os cientistas expressaram preocupações específicas sobre os riscos atuais. “O conflito no Oriente Médio ameaça sair do controle e levar a uma guerra maior sem aviso prévio”, alertou o grupo. Eles também afirmaram que “as perspectivas a longo prazo para as tentativas do mundo de lidar com as mudanças climáticas continuam ruins, com a maioria dos governos falhando em promulgar as iniciativas financeiras e políticas necessárias para deter o aquecimento global”.
Em 2025, o Boletim alertou que a guerra na Ucrânia “poderia se tornar nuclear a qualquer momento devido a uma decisão precipitada, acidente ou erro de cálculo”.
Em 2003, o cosmólogo Martin Rees, então astrônomo real do Reino Uni, estimou que a chance de a civilização sobreviver ao século 21 era de “no máximo 50%”.
Um banco de dados organizado por um pesquisador da Universidade de Oxford contém mais de 100 estimativas sobre riscos existenciais feitas por cientistas e filósofos.
A proposta de Putin para estender informalmente a observância do acordo Start por um ano aguarda resposta do presidente americano Donald Trump.