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PLANETAS

Sem querer, cientistas fazem grande descoberta em mundos distantes - e o que isso muda sobre vida extraterrestre

Pesquisadores tropeçaram em descoberta enquanto mediam vento em exoplanetas

Publicado em: 16/07/2026 às 11h:41 Última atualização: 16/07/2026 às 11h:46
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Sem querer, cientistas podem ter descoberto campos magnéticos ao redor de sete planetas que estão fora do Sistema Solar, chamados de exoplanetas. E isso pode ajudar na busca humana por vida extraterrestre.

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Ilustrações mostram como campos magnéticos podem atuar em exoplanetas | abc+



Ilustrações mostram como campos magnéticos podem atuar em exoplanetas

Foto: ESO/M. Kornmesser, L. Calçada

Um grupo de cientistas, de diferentes universidades e observatórios ao redor do mundo, pode ter tropeçado em uma descoberta incrível. Ao medirem a velocidade do vento nos exoplanetas, eles podem ter encontrado fortes indícios magnetismo.

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Descoberta inesperada em mundos distantes

A descoberta aconteceu sem querer, enquanto os cientistas mediam o vento nos sete exoplanetas considerados “ultra quentes” e parecidos com Júpiter, já que são gigantes de gás. 

O que eles descobriram foi que as rajadas eram mais lentas do que o esperado. Segundo o estudo publicado em junho deste ano, na revista científica Nature Anastromy, há grandes chances que essas correntes de ar sejam governadas por campos magnéticos.

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“É a primeira vez em que podemos comparar os campos magnéticos de outros mundos”, afirmou a co-autora do estudo Julia Seidel ao portal do laboratório multidisciplinar internacional NOIRLab. E isso, segundo ela, é a chave para entender muito mais, como a vida fora da Terra.

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O que os ventos têm a ver com o mistério magnético

Cada um dos exoplanetas está muito próximo da própria estrela e acoplados a elas (tidelly locked, no termo em inglês), mantendo a rotação sincronizada. Isso faz com que os mundos fiquem “encarando” a própria estrela, presos em dias ou noites eternas.

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“Assim como vemos apenas um lado da Lua pela Terra, esses planetas sempre mantêm um lado para a estrela quente”, explica o NoirLab. O resultado disso são uma eternidade de dias escaldantes de um lado e noites congelantes no outro.

Essa diferença drástica de temperatura cria climas completamente opostos dos que são vividos na Terra, com um vento extremamente forte. Nos exoplanetas, as rajadas podem chegar a 7.200 km/h até 25 km/h. Enquanto aqui, elas ficam próximas de 1.500 km/h em Júpiter.

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Ilustrações mostram como campos magnéticos podem atuar em exoplanetas | abc+



Ilustrações mostram como campos magnéticos podem atuar em exoplanetas

Foto: ESO/M. Kornmesser, L. Calçada

Ou seja, era esperado que as análises mostrassem um padrão de vento forte no planetas. Mas ao entenderem como a velocidade das rajadas variava de um mundo para outro, eles compreenderam algo bem diferente: quanto mais quente o planeta, mais lento era o vento.

“Isso é totalmente contra intuitivo porque, em condições iguais, os planetas têm mais energia para acelerar os ventos!”, disse a coautora do estudo Vivien Parmentier, professora no Laboratório Lagrange, na Université Côte d’Azur da França, ao NoirLab. “Algo deve estar acontecendo para diminuir a velocidade do vento em objetos mais quentes.”

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Segundo os cientistas, o que deve estar impactando o vento são campos magnéticos. Isso porque eles podem funcionar como um freio, diminuindo a velocidade das partículas na atmosfera.

Os dados dos ventos ajudaram os cientistas a medir a velocidade do campo magnético de cada um dos exoplanetas. Ao comparar a força dos campos deles com os de planetas do Sistema Solar, descobriram que eles são quatro vezes mais fortes que o de Saturno e quase tanto quanto o de Júpiter.

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O que muda na busca pela vida extraterrestre

Os campos magnéticos são vitais para a atmosfera dos planetas e para que sejam habitáveis. O da Terra, por exemplo, funciona como um escudo, protegendo contra a radiação e garantindo que continue habitável.

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Na Terra, o campo magnético é usado até mesmo como forma de geolocalização por alguns animais, como salmões e tartarugas. Eles possuem a habilidade de “senti-lo”, conforme o governo norte-americano USGS, mas ainda não há uma explicação para como.

Outros planetas do Sistema Solar possuem campos magnéticos, como Júpiter e Saturno. Apesar disso, ainda não haviam sido encontradas provas e medições de que os exoplanetas também possuem um.

A cientista Seidel afirma que os campos magnéticos são a chave para entender quais planetas podem continuar vivos, manter a água “e talvez, algum dia, até mesmo hospedar vida como nós conhecemos”.

Beleza ainda não descoberta

As auroras boreais são, de fato, impressionantes. “Na Terra, nós sabemos a beleza das luzes, quando as partículas do Sol chegam no nosso campo magnético e são guiadas aos polos, colidindo com gases na atmosfera, produzindo raios coloridos de verde, rosa e roxo”, afirmou a co-autora Bibiana Prinoth, astrônoma no ESO na Alemanha.

Se os exoplanetas também possuem campos magnéticos, e são ainda mais fortes que os do Sistema Solar, como mostra o estudo, a beleza das luzes poderia ser igualmente maior? Isso é algo que ainda deve ser descoberto.

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As ferramentas

Para chegar ao resultado, os cientistas usaram as seguintes ferramentas: o Maroon-X, do telescópio Gemini North, no Hawai; e o Espresso, do European Southern Observatory’s Very Large (ESO VLT), no deserto do Atacama, nos Estados Unidos.

Com ferramentas de telescópios diferentes, os pesquisadores conseguiram medir a velocidade do vento nos sete exoplanetas. Ao detectarem a assinatura de luz de químicos específicos em cada um, foi possível rastrear os movimentos através da atmosfera extremamente quente.

Com duas ferramentas, vindas de telescópios diferentes ao redor do mundo, os pesquisadores mediram a velocidade do vento em cada um dos sete exoplanetas

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