As projeções da NOAA indicam que o Pacífico Leste e o Pacífico Central devem registrar uma temporada de ciclones acima da média. No Pacífico Leste, a previsão aponta entre 15 e 22 tempestades nomeadas, com possibilidade de 9 a 14 furacões e de 5 a 9 grandes furacões, categorias 3 a 5 na escala Saffir-Simpson.
Conforme a MetSul Meteorologia, o principal fator por trás desse cenário é o El Niño. Enquanto o fenômeno costuma reduzir a atividade ciclônica no Atlântico ao aumentar o cisalhamento do vento, ele faz o oposto em boa parte do Pacífico tropical, criando um ambiente mais favorável à formação e à intensificação dos sistemas.

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El Niño e os exemplos de tempestades extremas
A combinação de menor cisalhamento do vento e águas mais quentes tende a alimentar tempestades mais intensas. A história recente mostra esse padrão em episódios marcantes, como o furacão Otis em 2023, que sofreu rápida intensificação antes de atingir a costa do México e causou destruição severa em Acapulco.
Outros exemplos foram o furacão Patricia, em 2015, com ventos estimados em 345 km/h, e o furacão Linda, em 1997, que alcançou cerca de 300 km/h. Esses casos reforçam como anos de El Niño podem favorecer ciclones excepcionais no Pacífico Oriental e Central.
Como funciona a temporada de furacões
A temporada de furacões é o período do ano em que as condições oceânicas e atmosféricas favorecem a formação de ciclones tropicais. No Atlântico Norte, ela vai de 1º de junho a 30 de novembro, intervalo em que as águas mais quentes fornecem energia suficiente para sustentar tempestades organizadas.
Para um ciclone se formar, é preciso água com temperatura próxima ou superior a 26,5°C, além de baixa intensidade de cisalhamento do vento e condições favoráveis em altitude. O sistema começa como depressão tropical, passa a tempestade tropical quando os ventos chegam a 63 km/h e se torna furacão a partir de 119 km/h.
Os maiores riscos vão além do vento
Embora os ventos mais fortes chamem atenção, a maré de tempestade é uma das principais causas de mortes em furacões, pois pode invadir áreas costeiras com força destrutiva. As chuvas torrenciais também provocam enchentes e deslizamentos, muitas vezes muito longe do ponto de impacto do ciclone.
Por isso, os efeitos de um furacão podem se espalhar por centenas de quilômetros para o interior. Em anos de El Niño, com mais energia disponível nos oceanos e menos impedimentos atmosféricos, o risco aumenta tanto no Pacífico próximo às Américas quanto no Pacífico Noroeste, onde os tufões também tendem a ficar mais intensos.