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ENVENENAMENTO?

Toxina letal de sapo teria causado morte de opositor russo; entenda acusação da Europa

Cinco países da Europa publicaram comunicado em conjunto sobre resultado de análises no corpo de ativista, que faleceu em 2024

Publicado em: 18/02/2026 às 15h:26
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Cinco países da Europa acusam a Rússia de ter envenenado Alexei Navalny, um ativista russo e opositor do governo do presidente Vladimir Putin, usando uma toxina letal encontrada em sapos da América do Sul.

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Cinco países da Europa acusam a Rússia de ter envenenado Alexei Navalny | abc+



Cinco países da Europa acusam a Rússia de ter envenenado Alexei Navalny

Foto: WikimediaCommons/Reprodução

Os países europeus Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Países Baixos publicaram uma nota em conjunto, no último sábado (14). Nela, eles afirmam que estão “confiantes que Alexei Navalny foi envenenado com uma toxina letal”.

Toxina letal encontrada em sapos

Os governos analisaram amostras do corpo de Navalny e os resultados foram conclusivos: há a presença de epibatidina. Essa toxina é produzida pela família Dendrobatidae, que contempla mais de 165 diferentes espécies de sapos coloridos, conhecidos como “rã-dardo” ou “sapos-flecha”.

Ao longo dos séculos, a epibatidina chegou a ser usada por nativos de diversas regiões em armas, mergulhando a ponta de flechas na substância.

O pós-doutor em química pelo Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ-UFRJ) Rafael Garret afirma que o um desses sapos, o Epipedobates anthonyi, consegue concentrar na pele veneno suficiente para matar um búfalo.

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Desde os anos 1970, estudos mostram que a epibatidina pode ajudar a aplacar a dor. Inclusive, ela é até 200 vezes mais potente que a morfina. No entanto, as pesquisas clínicas mostraram que ela era tóxica aos humanos.

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A morte de Navalny

Alexei Navalny morreu há pouco mais de 2 anos, em 16 de fevereiro de 2024, em uma prisão russa aos 47 anos. “A Rússia declarou que Navalny morreu de causas naturais”, afirmaram os cinco países europeus. “Mas a toxicidade da epibatidina e os sintomas reportados, envenenamento foi muito possivelmente a causa da sua morte.”

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No comunicado, eles relembram que a toxina é encontrada em sapos-dardo da América do Sul. “Não é encontrado naturalmente na Rússia”, concluíram no comunicado. “Navalny morreu enquanto estava preso, o que significa que a Rússia tinha os meios, motivo e oportunidade de administrar o veneno nele.”

Outros envenenamentos 

Essa não teria sido a primeira vez que Navalny foi envenenado. Em agosto de 2020, ele foi intoxicado com Novichok, agentes nervosos que impedem o funcionamento adequado do sistema nervoso. Essas substâncias neurotóxicas são altamente letais e eram usadas como armas químicas.

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O uso desses agentes, proibidos desde 1997, foi condenado pelos cinco países junto a outros parceiros. “O desrespeito contínuo da Rússia pela legislação internacional e pela Convenção de Armas Químicas está claro”, afirma.

Anteriormente, em 2018, Sergei Skripal, um ex-oficial da inteligência militar russo, e a filha dele foram envenenados em Salisbury, no Reino Unido. Amostras mostraram os agentes nervosos de Novichok no sistema de ambos. Na época, uma terceira pessoa também morreu, uma britânica chamada Dawn Sturgess.

“Em ambos os casos, apenas o estado russo possuía os meios, motivo e o desrespeito pela legislação internacional para seguir com os ataques”, reitera no comunicado. “Nossos Representantes Permanentes para a Organização para a Proibição de Armas Químicas têm escrito todos os dias ao diretor para informá-lo dessa brecha russa da Convenção de Armas Químicas.”

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Pedido por uma investigação transparente

Em outro comunicado, desta vez assinado por mais países europeus, uma investigação transparente sobre as circunstâncias da morte de Navalny é demandada.

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“A Rússia é responsável pelo tratamento desumano e degradante de Navalny durante a detenção”, afirma um outro comunicado assinado por ainda mais países europeus, publicado na terça-feira (17), pelo segundo aniversário da morte do opositor russo. “Nós novamente expressamos nossas profundas condolências para a família.”

Além dos cinco primeiros, a nota também foi assinada por Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Nova Zelândia, Noruega e Polônia.

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