O mundo vai acompanhar nos próximos dias o funeral do papa Francisco e, na sequência, o conclave para escolha de seu sucessor. Será a terceira vez que esse processo acontece neste século. O primeiro foi em 2005, para a escolha de Bento XVI, e o segundo em 2013, quando Francisco foi eleito.

Foto: Vaticano/Divulgação
Ele foi o papa de número 266, sendo o primeiro latino-americano. Antes dele, comandaram a Igreja um alemão (Bento XVI) e um polonês (João Paulo II). O anterior, João Paulo I, que ficou apenas 33 dias no posto, era italiano e a imprensa especializada vê como grande a chance de um cardeal nascido na Itália assumir o comando da Igreja.
Ao menos dez nomes são quase unânimes nas diferentes listas de cotados que circulam nos últimos dias. Formalmente Francisco não fez um sucessor, o que aumenta a especulação. Três italianos estão entre os mais cotados.
Cardeal Pietro Parolin
Segundo a imprensa italiana, o nome mais forte até o momento é o do cardeal Pietro Parolin. Nascido em 1955 em Schiavon, é o atual secretário de Estado do Vaticano, ocupando o segundo posto mais importante na hierarquia da Santa Sé desde 2013.
Foi o primeiro cardeal nomeado pelo papa Francisco. Diplomata experiente, Parolin ingressou no serviço diplomático da Santa Sé em 1986, aos 31 anos, e serviu em países como Nigéria, Venezuela e México, além de atuar em negociações sensíveis envolvendo China, Vietnã e Oriente Médio.
Ordenado sacerdote em 1980, Parolin é formado em Direito Canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana e é reconhecido como um articulador discreto e eficaz, qualidades que o tornaram uma figura influente no Vaticano.
Parolin fala italiano nativo, inglês, francês e espanhol. Reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2024, durante sua visita ao Brasil.
Cardeal Matteo Zuppi
Outro italiano que aparece na lista dos cotados é o cardeal Matteo Zuppi. Nascido em Roma no ano de 1955, é arcebispo de Bolonha desde 2015 e também foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco, em 2019.
Conhecido por sua postura progressista e proximidade com o papa argentino, Zuppi é presidente da Conferência Episcopal Italiana e membro da Comunidade de Sant’Egidio, um movimento católico dedicado à paz e ao diálogo inter-religioso.
O cardeal é reconhecido por seu foco em questões sociais, como a inclusão dos marginalizados e o cuidado com os pobres. Defensor de uma Igreja acolhedora e ativa, ele também está à frente de esforços de reconciliação, como o diálogo com a comunidade LGBTQIA+.
Cardeal Pierbattista Pizzaballa
Também aparece na lista dos italianos o cardeal Pierbattista Pizzaballa. Nascido em 1965, em Cologno al Serio, é o Patriarca Latino de Jerusalém e foi nomeado cardeal pelo papa Francisco em 2023.
Como líder da Igreja Católica no Oriente Médio, o italiano é frequentemente elogiado pelo trabalho em prol do diálogo inter-religioso entre cristãos, judeus e muçulmanos.
Embora mantenha laços estreitos com líderes judeus, também tem sido um defensor vocal dos palestinos durante o conflito em Gaza, tendo visitado o enclave no final do ano passado. Franciscano por formação, tem ampla experiência pastoral e administrativa, tendo servido como Custódio da Terra Santa entre 2004 e 2016.
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