O complexo vulcânico Planchón-Peteroa, que fica na fronteira entre Argentina e Chile, voltou a apresentar aumento de atividade superficial nas últimas semanas. Após sucessivas emissões de cinzas que atingiram entre 1,1 e 2 quilômetros acima da cratera, o Serviço Geológico Minero Argentino (Segemar) manteve o nível de alerta técnico amarelo. [Veja o vídeo ao final desta reportagem].
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Foto: Cristian Ordenes – Flickr/Wikimedia Commons
Segundo a MetSul Meteorologia, o primeiro pulso significativo ocorreu em 6 de novembro, quando câmeras e sensores do Observatório Argentino de Vigilância Volcânica (OAVV) registraram uma emissão repentina de cinza e gases. A pluma alcançou cerca de 1.100 metros, o que levou as autoridades a reforçar o monitoramento.
De lá até a manhã de sexta-feira (21), novas emissões foram detectadas. No episódio mais recente, uma coluna de cinzas e gases foi observada subindo até 2.000 metros. De acordo com o OAVV, o deslocamento do material seguiu a direção leste-sudeste, mantendo o impacto concentrado nas áreas próximas ao complexo.
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“Os especialistas ressaltam que o alerta amarelo não indica risco iminente de uma erupção maior, mas revela que o sistema está operando acima de seus parâmetros normais. Quando esse nível é ativado, relatórios técnicos passam a ser emitidos quinzenalmente, acompanhando a evolução das variáveis sísmicas, térmicas e de emissão”, explica a MetSul.
Como as emissões afetam o cotidiano
As emissões têm afetado principalmente Malargüe e Bardas Blancas, no Sul de Mendoza. Contudo, apesar da queda leve e esporádica de cinza, não houve interrupção de atividades urbanas, O Serviço Meteorológico Nacional informou também que a visibilidade em Malargüe permaneceu em 20.000 metros, com céu claro.
Mas as autoridades lembram que mesmo emissões não explosivas podem prejudicar operações aéreas, contaminar fontes de água e reduzir a visibilidade em estradas de alta altitude. O fato, ainda, de Planchón-Peteroa estar localizado em uma rota andina muito frequentada, faz com que a vigilância precise ser contínua.
Continuidade do comportamento histórico
Pablo Brian Forte, doutor em Ciências Geológicas do Segemar, explica que o movimento recente do vulcão é compatível com seu comportamento histórico. Ele afirma que o Planchón-Peteroa costuma apresentar ciclos curtos de elevação de atividade superficial, seguidos por períodos de relativa calma.
“Nos últimos três ciclos eruptivos, o complexo registrou pequenas explosões restritas à área da cratera, algumas delas atingindo até 3 km de altura. Segundo Forte, esse tipo de evento está dentro do padrão esperado para o vulcão quando há aumento moderado do tremor interno”, destaca a MetSul.
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Os sensores sísmicos seguem registrando atividade em profundidade, o que indica a possibilidade de novos pulsos de cinza nos próximos dias. Apesar disso, Forte destaca que não há evidências de ascensão de magma, tornando improvável uma erupção explosiva de grande porte ou a emissão de fluxos de lava.
Movimentos estão sendo acompanhados
Equipes do Segemar e do Sernageomin foram enviadas para Malargüe e para o complexo vulcânico para coletar amostras, revisar instrumentos, analisar gases e observar possíveis alterações na estrutura do sistema. Segundo especialistas, a presença em campo é essencial para identificar mudanças sutis que não aparecem nos sensores remotos, permitindo combinar dados sísmicos, térmicos, químicos e visuais para avaliar tendências de curto prazo.
A Direção de Proteção Civil de Malargüe emitiu alertas pedindo que moradores sigam apenas informações oficiais, a fim de conter boatos após a circulação de imagens das plumas nas redes sociais. O objetivo é evitar pânico e garantir que a população receba orientações confiáveis sobre o comportamento do vulcão.