Alunos do 9º ano da Escola Presidente Vargas, de Gramado, produziram artigos de opinião sobre a presença da mulher na sociedade como parte de uma atividade desenvolvida em sala de aula. A proposta incentivou os estudantes a escreverem pensando em um público real: os leitores do Jornal de Gramado.
Os textos abordam temas como respeito, divisão de tarefas, pressão social e igualdade de gênero. Segundo o professor responsável pela atividade, a participação no projeto Jornal na Sala de Aula serviu como estímulo para a produção textual e para a reflexão sobre assuntos presentes no cotidiano.
Confira alguns dos textos escritos por alunos:
Mulheres: Além da dupla jornada
Texto da aluna Ana Julia Wendling
“Na sociedade atual as mulheres sofrem uma grande pressão social para dar conta das inúmeras funções que se espera que elas assumam. Vejo que o maior desafio atual não é mais apenas a conquista de espaços, que seguem sendo ocupados com competência, mas a manutenção da saúde mental diante de uma jornada que nunca termina.
A chamada dupla jornada evoluiu para algo muito mais complexo: a carga mental. Mais do que a dupla jornada física, a mulher se sobrecarrega com a gestão emocional e logística da família, enfrentando uma desigualdade de tempo que persiste mesmo quando ela tem uma carreira profissional em tempo integral. O desafio, portanto, é estrutural. Enquanto a sociedade não entender que o cuidado (com a casa, os filhos, os familiares doentes ou idosos) é uma responsabilidade coletiva e não um dever da mulher, elas continuarão exaustas. A verdadeira igualdade não virá apenas de leis, mas sim de uma mudança na divisão do invisível.
A mulher tem o direito de estar onde quiser, porém isso depende de o homem estar igualmente presente onde a sociedade sempre impôs que apenas ela estivesse. Existir hoje ainda significa enfrentar desafios que vão muito além da busca por igualdade. Logo, devemos parar de romantizar a mulher guerreira e começar a garantir que ela tenha o direito de ser apenas humana.”
O papel dos homens no combate às injustiças
Texto do aluno Bernardo Franchini Namora
“Durante toda a história, as mulheres enfrentaram sérias injustiças. Nós, homens, deveríamos ter a obrigação de combater essa situação e podemos fazer isso. O problema é que a maioria das pessoas nem se importa com um assunto tão relevante como esse.
Vamos parar de reproduzir tais injustiças e aprender a valorizar o esforço das mulheres. Se formos analisar a rotina diária, é muito perceptível a diferença entre o homem e a mulher, visto que muitas delas, além de terem emprego, costumam cuidar da educação dos filhos e dar conta dos afazeres domésticos. Mesmo que o casal não tenha filhos, nada justifica o desrespeito.
Não é difícil praticar o respeito no dia a dia; na verdade é muito simples. Trocar as frases e piadas toscas do tipo “lugar de mulher é na cozinha” é uma forma muito fácil de praticá-lo. Isso não é apenas sobre esforço, mas também sobre a personalidade feminina, pois cada mulher é livre para escolher o que quiser em sua vida, sem pressão social.
Também é urgente falar da divisão de tarefas, porque alguns homens usam o emprego como desculpa para não ajudar em casa e na educação dos filhos, por exemplo. O homem pode muito bem – e deve – fazer tarefas domésticas, bem como cuidar dos filhos, para uma convivência mais justa. Afinal, é mais simples do que parece reconhecer e valorizar as mulheres em nossa vida.”
Respeito se pratica no cotidiano
Texto do aluno Arthur Dezordi Correia
“Mesmo com avanços na sociedade, muitas mulheres ainda carregam mais responsabilidade que os homens, tanto no trabalho quanto em casa. Por isso, o respeito precisa ir além das palavras e se tornar uma prática no dia a dia.
Um ponto essencial é a divisão justa das tarefas domésticas. Os homens devem participar ativamente dessas atividades, entendendo que não se trata de “ajuda”, mas da responsabilidade compartilhada.
No trabalho, é importante que os homens apoiem a igualdade, respeitando e reconhecendo a capacidade das colegas. Combater o preconceito e promover oportunidades iguais são atitudes fundamentais.
Assim, com mudanças de comportamento e mais consciência, é possível construir uma sociedade mais justa, em que o respeito seja realmente vivido no cotidiano.”
A mulher frente à cobrança da sociedade
Texto da aluna Laura Reis de Oliveira
“Hoje em dia, mesmo com várias conquistas, a mulher ainda sofre muita pressão para ser “3 em 1”: ter uma carreira bem-sucedida, cuidar da família e ainda dar conta da vida pessoal. Essa cobrança é exagerada, porque ninguém consegue fazer tudo perfeitamente o tempo todo sem se cansar.
Ao pensar no futuro das próximas gerações, percebo que essa ideia de ser multitarefa não deveria ser uma obrigação. Cada mulher tem o direito de escolher o que quer priorizar em cada fase da vida, sem se sentir culpada por isso. Nem sempre dá para equilibrar tudo, e está tudo bem.
Além disso, estar “onde quiser” significa poder fazer suas próprias escolhas sem ter que abrir mão dos seus sonhos por pressão dos outros. Não adianta falar que a mulher pode tudo, se na prática ela precisa se sacrificar para agradar todo mundo. Muitas vezes, essa liberdade existe só na teoria, porque na realidade ainda há muitos julgamentos e expectativas que acabam influenciando decisões.
Por isso, o verdadeiro direito de estar “onde quiser” é poder decidir sem medo de críticas e sem precisar provar nada a ninguém. Todas as mulheres têm a própria realidade, os próprios sonhos e limites, e isso precisa ser respeitado. É importante entender que não existe um único caminho certo para todas, já que cada uma vive situações diferentes.”