A campainha lá de casa era um inferno, além de ser estridente, quem tocava ficava pendurado no botão até alguém atender. Todas as visitas eram para meu irmão, cujo QG era seu quarto. O Marco passava dias, semanas, meses pintando a mesma camiseta com a capa de algum disco de Rock. Não terminava nunca.
No quarto tinha um janelão em que o Sebo e o Jaques sentavam na soleira porque fumavam muito. Dentre outros amigos, apareciam o Stopa, Stpopinha, Gigi, Ricardo, Cogumelo, Fritz e Schimia.
Minha mãe, com as outras mães, tinha um chimarrão semanal. Num desses encontros, fez uma reclamação à mãe do Jaques: “Como fuma o Jaques e o Luciano (Sebo), o cheiro é horrível no quarto!”. Tia Edith descobriu naquele momento os adolescentes fumantes. Instaurou-se uma confusão de pouco resultado, pois não abandonaram o vício.
Outro amigo era o Pacheco. Lembrava o Fred Mercury. Às vezes aparecia com os olhos pintados como um egípcio, unhas pintadas de preto e uma coleira com grampos. Apesar do jeito maluco, gostava de rock. Desaparecia e surgia. Numa dessas ressurgidas, pediu uma reunião com a turma para expor seu plano de ficar rico. Todos se interessaram. A grande ideia era assaltar o banco de Hamburgo Velho. Não o expulsaram, apenas caíram na gargalhada achando que era apenas mais uma ideia maluca num dia de maluquice.
Depois de anos descobrimos que o Pacheco havia falecido. A boa notícia foi que não houve confronto com a polícia tentando assaltar um banco. Bateu certa tristeza, mas com alívio.