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OPINIÃO

A casa velha

Tínhamos tudo plantado e um gramado para quarar a roupa

Gabriela Streb - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 30/06/2026 às 13h:18 Última atualização: 30/06/2026 às 13h:18
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Depois da casa no porão na Rua Piratini, mudamos para uma casa ao alto, muito velha, na rua Barão do Guaíba, bem em frente ao Colégio Antônio Vieira. Na ponta desta rua tinha a fábrica de café e o aroma da torra invadia toda a região. Até hoje esse cheiro me remete àquele lugar.

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Tinha muito pátio. Meu pai adorava fazer horta. Tínhamos tudo plantado e um gramado para quarar a roupa. Uma árvore de carambola e um enorme abacateiro. Nas férias, embaixo dele, brincava de casinha.
Na mesma rua morava a dona Lúcia, avó da Debô, que vinha passar o dia e nós podíamos fazer o que bem entendíamos na casa da vó Lúcia. Era a avó mais querida do universo. A Debô foi – e é – minha primeira grande amiga desde o Jardim de Infância, então lá se vão mais de 50 anos. Tínhamos casacos listrados iguais da Casa Clair, cuja loja merece uma escrita própria.

A casa era um mausoléu de tão velha. Por quatro vezes ladrões entraram e roubaram vários pertences nossos. Ali, conquistei meu trauma por temporal que hoje, se estiver sozinha, me afugento embaixo das cobertas com tampões nos ouvidos.

Num temporal de verão estávamos em casa. Choveu em todos os lugares dentro de casa, apenas no nosso quarto não entrou água. Lembro da minha mãe agarrada conosco chorando muito. Desde então tenho muito medo.

Depois, é claro, veio aquele sol lindo no entardecer de verão. Quando meu pai chegou foi aquela xingação e o decreto da minha mãe: “aqui não moro mais”.
Continuava a saga da troca de endereços.

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