abc+

OPINIÃO

A infame mistura de religião e política

Os políticos e religiosos deveriam olhar para a história e perceber que esta mistura só traz confusão

Marcos Schmidt - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 05/05/2026 às 12h:59 Última atualização: 05/05/2026 às 13h:00
Publicidade

O estrago é grande nesta indigesta mistura de religião e política com graves consequências espirituais e sociais por conta da infame barganha do toma-lá-dá-cá “em nome de Deus”.

Publicidade

E não adianta advertir os maus políticos, eles vendem até a mãe em troca do voto de crentes influenciados por líderes religiosos. E também não adianta advertir os maus religiosos, eles estão dominados pela ganância, poder e privilégios. São lobos disfarçados de ovelhas. Lamentavelmente, estamos presenciando o que Pedro alertou na sua segunda carta bíblica: “Vão aparecer falsos mestres entre vocês. Eles ensinarão doutrinas destruidoras e falsas (…) Em sua ambição pelo dinheiro, esses falsos mestres vão explorar vocês, contando histórias inventadas”.

Na obra “Da Autoridade Secular”, 1523, Lutero defendeu que a autoridade política é uma instituição que “não pode estender-se ao céu e sobre a alma, mas somente sobre a terra – o convívio externo dos seres humanos”. Por isso, sua tese: “Tem que se distinguir cuidadosamente esses dois regimes e deixá-los vigorar; um que torna cristão, o outro que garante a paz exterior e combate as obras más”. Lutero, no entanto, não sugere que o cidadão cristão seja omisso na política. Ao lembrar que a política é o esforço constante e paciente para estabelecer e manter uma ordem social, ele aponta para as vocações cristãs, todas moldadas por honestidade e justiça.

Os políticos e religiosos deveriam olhar para a história e perceber que esta mistura só traz confusão. E quando tudo virou campo de batalha, sempre é bom lembrar que o cristão é testemunha do amor de Jesus, não um soldado dele.

Publicidade

Matérias Relacionadas