O termo “religião” na Bíblia sempre aparece de forma negativa. No original grego, threskeia, é usado poucas vezes no Novo Testamento. Tiago, por exemplo, diz na sua carta que se alguém não controla a língua, sua religião não tem valor. Em Gálatas, Paulo confessa que perseguiu os cristãos por causa do fanatismo da sua religião. Ele foi um fariseu, segmento do judaísmo duramente censurado por Jesus devido a sua hipocrisia e falta de amor.
“Religião” vem do latim e significa “religar”. E, como vemos, não é isto que acontece na relação do ser humano com Deus. E os dicionários nos ajudam a entender o motivo bíblico deste impedimento: religião é o esforço humano para encontrar sentido à vida, à morte e ao universo através de rituais e regras morais. A Bíblia, no entanto, é categórica: nenhum esforço humano religa a terra com o céu, a criatura humana com Deus.
Romanos é o livro que esclarece de forma enfática as razões desta incapacidade humana: “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva”. Mais adiante, Paulo explica que “a promessa de Deus depende da fé, a fim de que a promessa seja garantida como presente de Deus”.
Esta “religião” de cima para baixo traz resultados na vida daquele que acredita neste presente do céu. Não é por nada que Tiago sublinha na sua carta que a fé sem obras é morta, e que a religião pura e verdadeira é ajudar órfãos e viúvas e não se manchar com as coisas más do mundo. “A luz de vocês deve brilhar”, lembrou Jesus, “para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem”.