É aquele beco em Hamburgo Velho que vai para o cemitério evangélico e o jardim de infância do Pindorama. Minha avó morava na Piratini, nº 02, e nós fomos ao lado, para o 16. A casa que mais ficamos. Mudamos de lado nesta rua. Era como um apartamento, não tinha pátio, mas tinha sótão. Tínhamos uma mesa de pingue-pongue enjambrada, o laboratório de ciências do meu irmão e meu clube da culinária. Passávamos horas jogando e só éramos interrompidos pelo berro da minha mãe chamando um de nós para secar a louça.
A mãe trabalhava no Funrural, cujo escritório ficava na casa da família Camerini. O Luciano Camerini tinha um rádio amador cuja conversa à noite entrava em todas as TVs.
A Lisete Angeli era a chefe do Funrural com atendimento aos colonos da região em busca da aposentadoria. Minha mãe falava alemão, o que facilitava a comunicação com aqueles idosos.
Além do tênis no Aliança, eu estudava no Colégio Alberto Pasqualini. O Marco na Fundação Evangélica. Fiz da sexta à oitava série. Sobrevivi à interminável greve do Cpers.
Na Avenida Maurício Cardoso morava o Caneco, figura política tradicional da nossa cidade, pai da Lisete. Foi goleiro do Esperança e do Grêmio, vereador e vice-prefeito.
Meu pai com amigos jogava pôquer todas as sextas na casa do Caneco. Aprendi bisbilhotando as jogadas. Na casa dele, época de campanha política, era um entra e sai. Lembro do Pratini de Moraes naquela casa, fazendo campanha para deputado federal aqui no Vale do Sinos. Ali as estratégias de campanhas eram definidas.