O termo surgiu após um assalto a banco em Estocolmo, Suécia, em 1973, quando reféns defenderam seus captores após dias de tensão. Não classificada como doença mental, a psicologia a trata como um mecanismo de sobrevivência que revela as complexidades da psique sob trauma extremo.
Diante do desamparo absoluto, as vítimas regridem a um estado de dependência infantil, identificando-se com os agressores. O ego assimila características dos dominadores para diminuir o receio da destruição total e ter um falso controle, gerando uma reação adaptativa ante o estresse.
Na prática, o cérebro prioriza a vida ao interpretar pequenos atos de “bondade” como provas de humanidade. Isso reduz a dissonância cognitiva e cria uma dependência emocional extrema para tornar o terror suportável.
Hoje, o conceito estende-se às dinâmicas de poder, em que grupos vulneráveis podem se identificar com sistemas opressores por necessidade básica ou falta de consciência de classe.
Esse debate atinge a autonomia individual, pois a consciência do dominado pode se anular, passando a ver o mundo pela ótica do “Senhor” para preservar sua existência física. Além disso, o fenômeno baseia-se no medo da punição: se a devoção nasce apenas do temor ao castigo, assemelha-se ao laço do refém com seu captor.
Em suma, no Brasil, a síndrome de Estocolmo ocorre frequentemente em contextos de segurança pública, violência doméstica, na política e economia, em que as vítimas desenvolvem laços emocionais e simpatia pelos seus agressores.