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OPINIÃO

A síndrome do trauma religioso

Surge quando a experiência dogmática excede a capacidade de processamento do ego

Jackson Buonocore
Publicado em: 04/06/2026 às 13h:13 Última atualização: 04/06/2026 às 13h:13
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A síndrome do trauma religioso (STR), conceito cunhado por Marlene Winell, descreve o colapso psíquico de indivíduos submetidos a instituições em que a fé é instrumentalizada pelo medo e pelo controle. O trauma surge quando a experiência dogmática excede a capacidade de processamento do ego, cristalizando um superego punitivo. Nesse cenário, Deus deixa de ser consolo para tornar-se um juiz onipresente, gerando estados de hipervigilância, culpa e vergonha.

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Em termos sociológicos, a STR é um subproduto da “jaula de aço” weberiana aplicada ao sagrado. Em comunidades fundamentalistas, a desfiliação não é apenas uma escolha metafísica, mas um evento de ruptura social traumática, que resulta na perda de capital social e em estigmatização. Diferente da coesão orgânica de Durkheim, aqui a união é mantida pela supressão da identidade.

Entre os sintomas da STR, destacam-se a confusão cognitiva e um vácuo existencial profundo ao se romper com a estrutura que antes ditava o “eu”. Do ponto de vista religioso, a síndrome é fruto de uma fé que encarcera a subjetividade, ao passo que a práxis da libertação busca a autonomia e a justiça social.

Diante disso, a superação do trauma exige uma reconstrução subjetiva: desconstruir a ideia do sofrimento como castigo e fortalecer o “eu” por meio da arte, da natureza e da autonomia intelectual. Porém, é fundamental trazer o inconsciente à luz para que a espiritualidade deixe de ser uma ferramenta de opressão e torne-se, enfim, um espaço de liberdade.

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