O clima poderia ser mais piedoso conosco. A chegada brusca do frio causa desorganização. No meu cérebro, a ordem natural das coisas ainda impera. Eu imaginava que há 40 dias do inverno ainda seria outono, com temperaturas amenas e a gente desfilando elegância por aí. Mas de uma hora para outra tivemos de cair para dentro da roupa com cheiro de guardada e nos transformamos no boneco da Michelin nos acotovelando pelas ruas. Não há mais um declínio gradual — é 8 ou 80.
Já estou me tornando repetitiva nesse tema. Mas o clima não é mais apenas um assunto para o elevador ou a forma do gaúcho de puxar conversa com um estranho. O clima se tornou pauta séria e não dá para levar na brincadeira. Deixou de ser conversa fiada e virou prioridade entender que nosso papel vai além de reclamar ou fazer piada. Nosso papel começa nos pequenos gestos individuais como separar e destinar o lixo corretamente, economizar água e consumir com consciência.
O consumo é, sem dúvida, um grande inimigo do planeta. Mas como lutar contra essa corrente? Em um país onde faltam serviços básicos como saúde e educação de qualidade é quase cruel querer que as pessoas pensem ou entendam causas como a do meio ambiente enquanto passam fome e não sabem interpretar um texto nem votar. Conforme dados do IBGE, em 2024 o Brasil tinha uma das maiores taxas de pobreza entre as 20 maiores economias do mundo (G20), figurando na segunda pior posição. E há outras nações bem piores do que nós. Nos resta, agora, torcer pela virada de chave — e que ela venha antes do caos que estamos provocando com nossos atos.