Trazer lembranças de criança é muito divertido. E algumas vem aqui.
Dois furos na lata de leite condensado: o objetivo era ficar ali, desfrutando daquele néctar dos deuses. Um lado da lata era meu e outro do meu irmão. Ele, espertamente, lá pelas tantas, dizia que não sabia qual era seu lado. Eu, já nojentinha, deixava tudo para ele.
Bala soft: tinha a história de criança morta engasgada. Então cuidado com essas balas. Nunca soube se era verdade ou apenas lenda. Do mesmo tipo que alguém havia sido dopado e acordado numa banheira de gelo com um bilhete que seu rim havia sido extraído.
Chiclete Ping Pong: depois de algumas mascadas o maxilar doía de tanto movimento.
Sodinha Cassel: poucos saberão do que se trata. Época de verão no Aliança, depois da piscina, com cabelo lavado de sabonete, momento do lanche. Minha mãe costumava fazer bolo em forminhas que chamávamos de bolinho inglês. Junto com o lanche trazido para poupar se comprava uma sodinha. Garrafinha pequena, transparente e o canudinho era de papel.
A geladeira mais cobiçada ficava na casa da Elaine. O Cassel fabricava a guaraná, soda e Sukita, franquias da Brahma e na sua casa tinha geladeira lotada de refri.
Na dela, todos os dias era permitido refrigerante. A ironia era que seu irmão, Rafael, tinha diabetes e não consumia. Convite para almoçar na casa da Elaine era pura felicidade com o senão de na mesa não haver conversa porque o Tio Cláudio escutava seu radinho de pilha junto com a refeição.