Complicado transformar as derrotas em alguma coisa boa. Só que não tem outro jeito nesta vida em que sempre vamos perder, algumas coisas importantes, outras insignificantes. O primeiro passo é saber o que tem valor neste mundo de ilusões. Uma Copa do Mundo tem imenso valor, mas nos cifrões e títulos logo esquecidos na galeria dos campeões. O jogo importante acontece, de fato, todo dia, quando ganhar é sobreviver num campo cheio de adversários. Por falar em jogo, hoje a batalha cruel é na jogatina das “bets”, estas bestas disseminadas na Internet que massacram a vida de milhões de pessoas. Isto, sim, é perder um jogo.
Pode ser cruel para quem sonhava ser hexa, mas é preciso agora “esperar quatro anos”. E daí fico na metáfora para pensar em humildade, resiliência, amadurecimento, aprendizado. Neste futebol de dinheiro e vaidade, é bem difícil. Mas, nesta vida que passa logo – ou como diz o Salmo 90, flor que “nasce de madrugada, cresce e floresce, mas à tarde seca e morre”, há pouco tempo para aprender com derrotas.
O apóstolo Paulo, que comparou a busca pelo prêmio eterno com uma competição esportiva, disse em outra carta bíblica: “Porque quando estou fraco, então sou forte”. Algo estranho nesta humanidade de vikings, de gente forte, brava, guerreira. Aliás, o que Paulo diz não bate com as batalhas de uma certa cristandade que caiu na heresia ufanista da vitória, domínio, prosperidade. Paulo, no entanto, olha para a cruz de Cristo, e por isto diz: “Sinto prazer nas fraquezas (…) nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então estou forte”. Sim, às vezes é preciso perder para ganhar.