Sou da geração que decidir não ter filhos era um desafio. A ordem natural seria casar-se e ter filhos, dois o ideal. Lembro de um médico, lá pelos meus vinte e poucos anos, me questionar, depois que eu ter comentado que havia comprado um computador 386. A tecnologia entrava nas nossas casas. “Tu consegues espaço para um computador e não para uma criança?” Achei a pergunta esquisita, pois não se tratava de uma gaveta onde pudesse colocar uma criança.
Filhos hoje são um desafio. Pais grávidos promovem festas para revelar o sexo do bebê. Em contrapartida, discutem qual o sexo que a criança vai escolher quando for maior. Para mim, esta escolha a genética já fez.
Talvez eu tenha parado no tempo, pois vejo uma confusão neste tema.
O Brasil evita a conversa sobre a “disforia de gênero que é o sofrimento ou desconforto causados pela incongruência entre a identidade de gênero e o gênero do nascimento”.
Dinamarca, Suécia, Finlândia, Inglaterra e Noruega recuaram no tratamento de hormônios e cirurgias pois há um número grande de adolescentes querendo a reversão. A psicoterapia passou a ser o primeiro tratamento.
No Brasil, o assunto é tratado como heresia e ativismo. O ser humano é, por natureza, curioso e tende a querer experimentar situações novas, mas não significa que ele vá trocar de sexo.
Só porque uma menina gosta de futebol ou lutas, não significa que ela vá querer trocar de sexo, nem o menino que gosta de cozinhar.
Independente do tipo de família, é nela que este assunto deve ser debatido.