“Vivi de tudo na política. E jamais imaginei chegar na urna eletrônica e ter que escolher entre um candidato flagrantemente condenado e solto apenas por um canetaço e outro incapaz de ser aprovado no teste psicotécnico para a carteira de motorista. Isso em 2022”.
Aos 65 anos, graças à vida de repórter e jornalista, tive o privilégio de conviver “ao vivo e a cores” com inúmeros personagens da política gaúcha e brasileira. O autor da frase acima resume o momento lamentável histórico do País.
Se alguém dissesse que os ministros “da mais alta corte” bateriam boca através da imprensa seria chamado de insano. Era impensável imaginar-se integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) serem citados em áudios com ligações perigosas com notórios bandidos. Como mostram gravações sobre a proximidade de ministros com o gângster Daniel Vorcaro.
A impunidade/ativismo judicial, a busca de celebridade e a proliferação de fake news – inclusive pela chamada “grande imprensa” levaram ao descalabro. Não se vê diálogo, só agressões. Não há troca de ideias, apenas ofensas.
É impossível o surgimento de novas lideranças, graças à promiscuidade das emendas parlamentares, ao fundo eleitoral e aos gastos do Congresso Nacional e dos 39 ministérios. Democracia exige decência e transparência. Hoje, os ministros do STF têm armas letais para abortar qualquer investigação.
E os poderosos têm instrumentos para detonar indícios concretos e debocham dos mortais comuns. Até quando?