Estou confusa. Vários autores se queixam sobre como é difícil ser publicado no Brasil. Um quadro desalentador para quem tem pretensões na área. Por outro lado, portais de notícias dizem que o mercado editorial vive um momento de recuperação e expansão. E o mais incrível: li na Forbes, matéria de junho, que os livros viraram a peça central na ascensão de clubes de leitura assinados por grandes maisons como Dior, Gucci e Chanel.
Dá para acreditar? Depois de acompanharmos o fechamento de livrarias mundo afora, descobrimos que o livro é chique. Se as marcas mais caras do mundo estão dizendo… Na minha cachola, as contas ainda não estão batendo — até porque tenho grande interesse e um romance quentinho aguardando a vez numa gaveta. Mas é um grande recomeço. É o novo ciclo desse mercado, como estão chamando os entendidos, seja lá quem forem eles, e tem a ver com a necessidade de desconexão. Está tudo lá para quem quiser ver, no Global Wellness Trends Report — o estudo que sabe antes da gente o que a gente vai querer daqui uns anos em termos de bem-estar.
E a gente vai, podem apostar. A prova está aí, com o disco de vinil e as câmeras analógicas voltando a mil para as nossas casas. E agora, aleluia, chegou a vez dos livros. Não vou negar que sonho com esse momento há tempos. Mas sério: precisamos chegar ao fundo do poço para descobrir que bom mesmo era antes, quando sentávamos num canto sozinhos para ler. É a vida circular, que minha versão Mãe Dináh não se cansa de propalar. Não reclamemos. Pelo contrário, quero comemorar com um brinde à fadiga mental e aos novos velhos dias!