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OPINIÃO

Decibéis

Já no primeiro acorde, um estrondo fez tremer o chão

Suzana Kunz - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 15/07/2026 às 13h:15 Última atualização: 15/07/2026 às 13h:15
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Semana passada, apesar do frio, me aventurei faceira com uma amiga ao Teatro Feevale para assistir ao Rock Concert, com o violinista Luciano Reis, acompanhado por banda e quarteto de cordas. Imaginávamos que a palavra rock seria suavizada pela palavra violino, combinação que despertou nosso interesse.

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No palco, um cenário tridimensional: colunas gregas iluminadas por tons avermelhados criaram uma atmosfera em que o clássico abraçava o rock. Já no primeiro acorde, um estrondo fez tremer o chão. Os instrumentos se fundiam numa única e intensa massa sonora.

Para proteger a audição e tentar distinguir, ainda que minimamente, o timbre de cada um, recorri aos indicadores, tampando os ouvidos. Decidi permanecer assim até o fim, porque, apesar do excesso de volume, o espetáculo era primoroso. Pois entre a quinta e a sexta música, minha amiga virou-se para mim e pediu que fôssemos embora: estava com dor de ouvido.

Concordei feliz da vida. Deixamos o teatro enquanto o público seguia em êxtase. No caminho de casa, lamentei não ter levado os protetores auriculares que uso nas noites em que os roncos do meu parceiro competem com o silêncio. Lembrei de amigas que perderam parte da audição após anos de exposição a sons intensos e das crianças.

Saí com a impressão de que hoje dominamos a tecnologia capaz de produzir sons potentes, mas parece que esquecemos que a música nunca precisou gritar para emocionar. Talvez a verdadeira intensidade da arte esteja na força com que ela consegue tocar o que nenhum alto-falante alcança.

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