É interessante notar que Jesus chamou os Doze num momento em que se sentiu tomado de compaixão: viu multidões cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Sentiu dor diante da dor do mundo e lhe oferece o seu coração enternecido. Assim, dá início ao ministério da compaixão. É para esse ministério que Ele convoca os Doze discípulos e a todos os que nele creem.
“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da messe que mande trabalhadores”.
Jesus viu uma multidão de pessoas que o seguia, uma multidão cansada, abatida, sem pastor. A grande messe ou seara é uma seara de cansaço, uma colheita de lágrimas, uma messe de dor. É a essa seara que Jesus envia os Doze, confiando-lhes uma missão extraordinária: o ministério da compaixão.
Ele os faz operários de um trabalho indicado nestes seis verbos: anunciai, curai, ressuscitai, purificai, expulsai e dai (cfr. Mt 10,7s). A pregação é apenas um dos seis verbos. Os outros cinco dizem respeito à piedade e à compaixão.
A obra de quem é chamado para a messe é, em primeiro lugar, a piedade a ser exercida com gestos concretos: cinco ações que revelam Deus e o seu Reino próximo de nós. Porque Deus não se demonstra com grandes reflexões. Deus precisa ser mostrado, não com palavras, mas com a vida.
O ministério da compaixão não é ensinado em universidades. Não são funções, deveres e poderes importantes. Trata-se do dom da compaixão. A compaixão só “se aprende” ao lado do Senhor, e com Ele, olhando as multidões, sabendo ver a messe da dor, as espigas do cansaço, que amadurecem continuamente. E então, deixar-se chamar.