Se Deus tem todo o poder e amor, por que ele permite tanta coisa ruim? A pergunta está na cabeça de todos diante dos mais diversos sofrimentos. Dúvidas que martelam o coração, sobretudo quando tais aflições sobrevêm às crianças. Foi o caso do rabino Kushner que perdeu um filho precocemente na doença. Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas é o livro que o rabino escreve mais tarde. Ele questiona a ideia de um Deus onipotente e sugere que Deus é bom e justo, mas não tem controle absoluto sobre tudo. Um equívoco do rabino. Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento – parte que o judaísmo não acredita – afirmam que Deus tem todo o poder.
O profeta Habacuque, que viveu no século sexto antes de Cristo, também fez esta pergunta: “Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte” (1.3). Deus lhe respondeu: “Mesmo que pareça demorar, espere, porque certamente virá (a visão); não tardará. (…) A sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (2.3,4).
Seis séculos depois, Paulo explica a visão do profeta na carta aos Romanos, que “o justo viverá por fé” (1.17). Uma justiça que vem de cima, um presente pela fé em Cristo. E na certeza de que Deus tem todo o poder e amor, Paulo reafirma: “Quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo ou a morte? (…) Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida” (8.35,38).
Nunca teremos as respostas que tanto desejamos, mas sempre teremos o amor de Deus que tanto necessitamos.