Tema que entrou em evidência nos últimos dias, depois de denúncia feita por um influencer nas redes sociais, infância é um conceito construído socialmente e que, por isso, sofre transformações com o tempo, com a história e com a cultura.
O filósofo grego Platão (427-347 a.C) já apresentava algumas instruções de como a criança deveria ser educada, separada do mundo adulto. Foi no século 18 que houve a passagem da ideia da criança trabalhadora para a criança escolarizada, de um indivíduo economicamente ativo para um indivíduo passivo, e que a luta pela escolarização das crianças marcou o início do século 20.
Diferentes pensadores estudaram a questão. John Locke (1632-1704) via as crianças como versões incompletas dos adultos, em um “estado imperfeito” e “fracas e impotentes, sem conhecimento ou entendimento” – defeitos que seriam corrigidos quando ela crescia. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) defendia que adultos e crianças eram semelhantes, mas não idênticos, defendendo uma educação de acordo com idade, sem importar respostas corretas, mas fazendo com que as crianças consigam resolver os próprios problemas. Assim como Clarice Cohn (2009), considero a criança como um sujeito competente, ativo e capaz de se posicionar sobre os mais diversos temas.
Meninos e meninas precisam ser protegidos nas e das redes sociais, com o acompanhamento de um adulto. Entretanto, há vários outros ambientes e situações em que ela tem total possibilidade de participação, como no jornalismo, em que ela pode, com autorização dos pais, ser fonte sobre assuntos cotidianos que lhe afetam.