Era uma vez um cego mendigo (Jo 1-41). Parece que ninguém sentia pena daqueles olhos que nunca se abriram. Mas Jesus, ao passar, teve olhos para vê-lo e lhe concedeu o dom de enxergar. Também não consta que alguém tenha se entusiasmado com os seus olhos novos.
Diante da alegria de um homem que vê pela primeira vez o sol, o rosto e o olhar dos familiares, a beleza do mar e as cores, até mesmo as árvores, se pudessem, fariam festa; e as colinas, diz o salmo, saltariam como cordeiros (cf. Sl 114,4).
Eles não! Eles, os fariseus, que conhecem as regras, que sabem o que é bom e o que é mau, o certo e o errado, não sentem alegria, porque só lhes interessa a Lei e não um homem feliz. Dizem: “não se fazem milagres ao sábado!” Não entendem que Deus prefere a felicidade dos seus filhos à observância da Lei. Funcionários das normas e analfabetos de coração, fazem acreditar que Deus está contra o homem. E isso é o pior que pode acontecer em nossa vida de fé. Dizem: “os pobres continuem pobres, os mendigos continuem a mendigar, os cegos se resignem, desde que o sábado – a Lei – seja observado; a glória de Deus é o preceito observado!”
Mas não é assim. Jesus vê a abundância das nossas lágrimas. Para Ele, a glória de Deus é um homem que torna a ver. E o seu olhar brilhante dá mais glória a Deus do que todos “os sábados”!
Assim é a fé: visão nova, visão jubilosa das coisas. O cego não recebe de Jesus explicações sobre a sua doença; recebe compaixão. Compaixão é sentir com o outro; é um sentimento capaz de milagres; um sentimento que gera luz; um dinamismo que nos é confiado para que o mundo tenha luz.