Confesso que não tenho mais aquele entusiasmo antigo com a Copa do Mundo. Sempre vibrei com a seleção brasileira, mas hoje, usar bandeiras pode atrair ódio e violência. E se “política, futebol e religião não se discute” – tudo ficou misturado com bate-bocas e confusões. Futebol virou política, algo compreensível nesta sociedade viciada em vaidades, ganância e domínio. Mas quando a religião virou política, isto é a coisa mais repugnante no mundo cristão. É um gol contra o Evangelho e que Jesus já tinha alertado contra os falsos profetas. Com um chicote expulsou os vendilhões do Templo, e hoje faria o mesmo com “pastores” que usam a tribuna política e “políticos” que usam o púlpito religioso.
A Fifa entende que futebol, política e religião não se misturam e por isto proíbe tais manifestações em seus eventos. Regra inteligente na diversidade humana. Jules Rimet, criador da Copa do Mundo, defendia o futebol como instrumento de integração e promoção da fraternidade. Havia uma intenção de utilizar o esporte como instrumento de convivência, inclusão e valorização da dignidade humana. A política, por sua vez, é o jogo civilizado e inteligente para uma vida pacífica e justa na sociedade. É o que se espera dela. A religião – e aqui falo do Evangelho de Cristo, sua finalidade é integrar o ser humano com Deus, uma união que traz bons resultados na convivência fraternal entre as pessoas, sem fazer distinção entre raças e culturas.
Não podemos perder o entusiasmo – “en theos” no grego, isto é, “Deus dentro de si”. Deus está em tudo , sem ele nada somos no futebol, na política e na religião. Mas, cada um no seu quadrado.