“Mais de 9 mil alunos passaram de ano reprovados em até quatro disciplinas no RS”. A medida, desde o seu anúncio, rende muita polêmica no Estado. Considero inaceitável a decisão. Sou velho, dos tempos em que o mínimo era tirar nota 5 para ser aprovado.
O neologismo para a medida é “progressão parcial” e teria como objetivo “dar novas chances de aprendizado aos estudantes e reduzir a evasão escolar”. Vivemos a época em que os jovens têm enormes dificuldades de conviver com a frustração.
Os resultados podem ser vistos em qualquer lugar, onde a revolta e a depressão são reações consideradas normais. Pais, cada vez mais, transferem a tarefa de educar seus filhos aos professores. Profissionais que assoberbados por baixos salários e condições precárias de muitas escolas, apesar da massiva propaganda do governador.
O objetivo escamoteado pela publicidade oficial é alavancar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Esta postura passará falsa ideia de que a educação, no RS, vai muito bem, o que não corresponde à verdade.
Outro argumento dos marqueteiros é de que o custo de o aluno não terminar o ensino médio é de R$ 395 mil/ano para o Estado. Ora, para um governo que gastou R$ 170 milhões em publicidade em 2025 – e recebeu bilhões do governo federal para os efeitos da enchente, vendeu vários ativos e não pagou a dívida com a União por anos a fio – é um valor ínfimo.
O objetivo das autoridades estaduais deveria ser trabalhar na formação de jovens para enfrentar os próximos anos e, o principal: encarar os desafios da vida de adulto. Mas isto está longe de ser a verdadeira meta.