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OPINIÃO

Invasão de domicílio

A fofoca ocorre quando o fofocado não está presente à cena

Mauro Blankenheim - Colunista | abcmais.com
Publicado em: 09/06/2026 às 13h:18 Última atualização: 09/06/2026 às 13h:18
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Noto uma crescente e volumosa tendência das pessoas em abelhudar a vida de outros. Alguém diria: isso sempre existiu e se chama fofoca. Discordo. A fofoca ocorre quando o fofocado não está presente à cena. Dar palpite na vida de outras pessoas deveria ser remunerado, uma vez que o palpitado solicite a intervenção. O que parece ocorrer de fato é a condição do ser humano ter chegado a tal nível de conhecimento, segurança e sucesso na vida, que se julgue no direito e na oportunidade de fazê-lo espontânea e didaticamente. Independente de solicitado ou não.

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Isso tem uma, ou pelo menos duas explicações aceitáveis. A primeira: o “conselheiro” é um amigo que quer o melhor para o seu parceiro e por assim dizer-se, toma a liberdade de emitir orientações no sentido de querer ver melhorar o bem-estar do outro. No entanto ele se arvora o direito de fazer sugestões sem conhecer intimamente o drama que o alvo está vivendo: suas características mais individuais, seu estilo, seus traumas e suas vivências, sua condição, enfim. Campo minado para errar o tiro.

Em outro caso, o conselheiro, incapaz de resolver as suas próprias mazelas, pensa positivamente em amenizar a crise do amigo lhe indicando caminhos que julga os melhores e que porventura já os tenha trilhado com resultados monitorados, analisados e ajustados. Outro erro: o que serve para mim, não serve para o outro.

Uma terceira via é o sujeito de modo vingativo tentar descontar sua raiva interna no sofrimento alheio e passar tecnologia vivencial no reverso, de modo que o ouvinte venha a explodir o mais rápido possível. Pare com isso!

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