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OPINIÃO

JACKSON BUONOCORE: O burnout digital

Sob a ótica psicanalítica, tornamo-nos os "sujeitos do desempenho"

Jackson Buonocore
Publicado em: 12/03/2026 às 06h:00 Última atualização: 11/03/2026 às 18h:11
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Vivemos em uma era de hiperconectividade, na qual a fronteira entre o real e o virtual se dissolveu. O burnout digital surge como o esgotamento físico e mental resultante do uso ininterrupto de tecnologias. Esse fenômeno é fruto da economia da atenção, que transformou a concentração humana em mercadoria explorada por plataformas digitais — um modelo que impacta severamente a saúde mental.

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Sob a ótica psicanalítica, tornamo-nos os “sujeitos do desempenho”: autoexploradores que buscam validação constante em métricas, ignorando os limites do próprio corpo. Isso gera um ciclo de ansiedade, insônia e fadiga crônica. Se em adultos o cenário é crítico, o burnout digital infantil é ainda mais preocupante, pois, diferentemente dos adultos, as crianças estão em pleno neurodesenvolvimento.

Assim, a exposição excessiva mediada pelas telas causa uma hiperestimulação que pode levar ao afinamento do córtex pré-frontal, área responsável pelo foco e pelo controle emocional. Os sinais em crianças são visíveis: crises de raiva, dificuldade de obediência, cefaleia, dores abdominais e cansaço mesmo após o sono, além do desinteresse por brincadeiras reais. Casos graves resultam em internações por crises de ansiedade e automutilação.

Para combater essa exaustão, os adultos devem resgatar o tempo offline. Já as crianças precisam substituir telas por atividades ao ar livre e pela desconexão total antes de dormir. O equilíbrio digital, portanto, não é mais um luxo, mas uma necessidade de sobrevivência emocional.

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