Anos atrás, fui a São Paulo por conta de um processo com a intenção de falar com a magistrada. Os gabinetes ficavam num corredor, e, na porta, a placa: “entre sem bater”. Abri a porta e saltou a secretária me barrando. Comentei sobre a intenção da conversa: “Vou ver se a magistrada lhe atende porque a senhora não está de traje forense. Está de calça jeans”. Fiquei em choque e hoje concordo. Ela fez uma exceção depois da minha choradeira, pois estava vindo lá do RS só para esta conversa.
No Tribunal de Justiça do RS, não são permitidos bermuda e chinelo. Já vi magistrado mandar testemunha ir trocar de roupa, pois estava de bermuda de cotton e miniblusa. Boné, nem se fala.
Na última semana, um protesto de alunos da Universidade Federal em que estudante estava de corpete, decote e alças de soutien aparecendo, barriga à mostra e bermuda, reclamando das condições da universidade. Achei esquisita a reclamação frente à postura da locutora.
Ir na Igreja com camisa de time, 15 anos, usando tênis, formatura do direito de bermuda, isso tudo passou a ser o lugar comum, e não é. Casamento exige tipo de roupa. Júri, exige beca cujas cores dos cordões identificam quem é quem.
Não me imagino ser atendida por um médico na UPA sem jaleco. Cozinheiro de um “xis” sem avental e dentista sem máscara.
Normalizamos atitudes e vestimentas com a desculpa da livre opinião e convicção, e isso não é normal. Cargos exigem liturgia que também pode ser chamada de respeito e educação. Não vamos confundir as coisas.